top of page

Por que alguns futuros se tornam mais prováveis do que outros

há 7 dias
3 min de leitura

Nos últimos dias, comecei oficialmente a trabalhar no meu próximo livro. Existe uma coisa curiosa nisso, porque o tema que venho pesquisando para ele é justamente futuro, e talvez eu esteja vivendo, ao mesmo tempo, um dos períodos em que mais conscientemente tenho pensado sobre a construção do meu próprio.


Há alguns anos, grande parte da minha vida profissional cabia em lugares relativamente previsíveis.

Eu tinha uma carreira executiva, depois construí uma empresa, e por muito tempo consegui enxergar com alguma clareza quais eram os próximos passos possíveis a partir dali. Quando comecei uma transição de carreira e passei a transformar meus estudos sobre mentalidade, comportamento e criação de realidade em conteúdo, cursos e mentorias, essa previsibilidade diminuiu bastante. Em compensação, alguma coisa mais interessante começou a acontecer: meu futuro deixou de parecer uma continuação automática daquilo que eu já tinha feito.


Foi nesse processo que comecei a me interessar cada vez mais por um conceito chamado cone de futuros. Ele parte de uma ideia relativamente simples: quando olhamos para frente, não existe apenas um futuro esperando por nós. Existem diferentes futuros possíveis, alguns muito prováveis considerando as condições atuais, outros plausíveis, e outros que naquele momento ainda parecem distantes.



Tenho pensado bastante sobre isso porque, olhando para a minha própria trajetória, várias coisas que fazem parte da minha vida hoje já estiveram em regiões muito improváveis desse cone. Escrever livros, trabalhar com conteúdo, criar mentorias, construir uma carreira ao redor das ideias que estudo e, agora, começar a desenvolver uma teoria própria eram possibilidades que, em determinados momentos, tinham pouquíssima sustentação concreta.


Com o tempo, algumas dessas possibilidades foram ganhando probabilidade. Uma decisão aproximou outra, os estudos criaram repertório, a prática trouxe novas perguntas, o conteúdo me colocou em contato com pessoas, as mentorias me permitiram observar padrões e cada experiência foi acrescentando alguma coisa àquele futuro.


É justamente essa dinâmica que quero investigar no novo livro.


Nos últimos meses, acompanhando pessoas dentro das minhas mentorias, comecei a perceber que muitos processos de mudança passam por um movimento parecido. Existe uma distância entre conseguir imaginar uma realidade diferente e criar condições para que ela se torne cada vez mais provável. Essa distância é preenchida por identidade, ambiente, decisões, repertório, comportamento, relações, tentativas e uma série de movimentos que, isoladamente, parecem pequenos, mas começam a alterar as possibilidades disponíveis.


A expressão que tenho usado para pensar sobre isso é estratégia de futuro.


Talvez porque, para mim, futuro tenha se tornado uma coisa cada vez menos abstrata. Existe imaginação envolvida, claro, mas existe também construção. Quando conseguimos enxergar uma direção, começamos a perceber escolhas que antes nem sequer apareciam no nosso campo de visão. Algumas portas passam a fazer sentido, determinadas relações ganham importância, outras deixam de combinar com aquilo que estamos construindo, novas habilidades precisam ser desenvolvidas e aquilo que parecia distante começa, pouco a pouco, a ganhar estrutura.


É interessante começar a escrever este livro justamente enquanto vivo esse processo de maneira tão concreta. Hoje, quando olho para os próximos anos, vejo possibilidades que ainda não sei exatamente como vão acontecer. Algumas estão mais próximas, outras continuam na borda do meu cone de futuros. Escrever este livro é uma delas, e ao mesmo tempo é uma das ações que pode reorganizar muitas outras.


Talvez seja essa uma das ideias que mais quero explorar daqui para frente: nós construímos o futuro muito antes de chegar nele.

Construímos quando escolhemos aquilo que merece nossa atenção, quando desenvolvemos uma competência, quando entramos em determinados ambientes, quando sustentamos uma ideia por tempo suficiente para testá-la e quando começamos a tomar decisões coerentes com uma vida que ainda não existe completamente.


É desse lugar que começo meu próximo livro.


Com uma pergunta que nasceu da minha própria trajetória, ganhou novas camadas dentro das mentorias e agora começa a virar pesquisa: até que ponto conseguimos aumentar deliberadamente a probabilidade de determinados futuros?


Ainda estou no começo dessa investigação. E talvez seja justamente por isso que estou tão interessada nela.

 
 
 

Comentários


© 2026 by Cáh Morandi
 

Fortaleza e Anywhere, Brasil

  • Youtube
  • Instagram
  • TikTok
  • LinkedIn
  • Whatsapp
bottom of page