25 de janeiro de 2017

se eu sugar a memória
tentando recompor todos 
os traços, não será você
posso me debruçar sobre
tua caligrafia para decifrar
os enigmas, não estará você
provar o sal da lágrima
na boca para reviver o gosto
do toque, não trará você
entre o abismo do mundo em 
que você existe e este em que 
te imagino, como continuar caindo
sem saber se é indo até o fundo
que te encontro?

 Cáh Morandi

3 comentários:

Occhi di bambino disse...

O certo seria eu te dizer: sem palavras. O justo também seria. É esse o quinto poema que leio e comento direto. Cah, sem palavras, sem palavras. O nome DISSO é abismo, esse mundo real já intocável e o reflexo dele dentro de nós! E, deveras, deveras, quando mais fundo no abismo do sentimento do que vivemos mergulhamos, mas encontraremos lá a pessoa que não é a real, que é apenas, infelizmente, a que acalentamos dentro de nós num berço de saudade. Belíssimo, belíssimo, Cah. és uma das melhores poetisas que já li. Un abracio

Anna Clara Marianna disse...

Não é a mesma pessoa, falta à pessoa que trazemos no coração o poder do toque, o poder de sentir em cada um dos sentidos, isso é um abismo gritante. Boa noite

Aprendiz do amor disse...

Abismos são oportunidades, mas.. ainda difícil não deixar o medo tomar os rumos dessa queda.

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