31 de maio de 2016

para mim me basta
o que sei, por isso
não me prove
não reivindique
conhecer mais do
que mostro
pode ser medo
do quão profunda
me reconheço ou
do tão rasa que
você me encontre

Cáh Morandi

30 de maio de 2016

não sei qual a última porta
a ser aberta, mas sei que
que estou à frente da última
que precisa ser fechada
o som das vozes ficaram
para trás, os motivos que
antes impediam estão
em recesso agora onde
tudo é miseralvemente
razão
de pés exaustos
de coração ateu
p r o s s e g u i r
no caminho que
há depois do
adeus

Cáh Morandi
eu mesma me roubei o
direito de sonhar um
futuro que nos coubesse
e não cumpro as promessas
que escrevi com as pontas
dos dedos dos meus lábios
me perdoe a fragilidade de
colocar o amor nesse templo
inacessível à esquerda do
meu corpo e enterrar aqui
tuas esperanças sem nem
mesmo respeitar teu luto
tardia como sempre,
trago a confissão agora
que o tempo já transformou
tudo em memória

Cáh Morandi

26 de maio de 2016

salvo a covardia
o restante é possível
esquecer
fora a ferida o
sangue é possível
estancar
exceto os pesadelos
da memória é possível
dormir
separando o medo de
caminhar na rua é possível
sobreviver
apagando as 33 digitais
estranhas estampadas
pelo corpo não será possível
perdoar

Cáh Morandi

http://www.metropoles.com/brasil/policia-br/acordei-com-33-homens-em-cima-de-mim-diz-jovem-estuprada-no-rio



25 de maio de 2016

se me conheço
sei que perguntaria
sobre a espécie
depois de identificar
a raiz, mas não
quero saber tudo
um pensamento
um pouco profundo
responde os maiores
mistérios
para continuar
o mover secreto
do que é a vida,
debaixo dessa
única árvore
conto sempre
as mesmas
folhas

Cáh Morandi
os anos de escola
não me fizeram
acertar os cálculos
multilpliquei os 
enganos por não
somar o imprevisto
o resultado é exato
e não foi me dada
a múltipla escolha
para aproximar
do acerto com o
que duramente
pude encontrar
não me vejo nula,
mas me sinto
subtraída

Cáh Morandi

22 de maio de 2016

quando era de manhã
a paz balançava branca
os varais das histórias
e de tão claro o céu
nenhuma mancha
me vestia a alma
nos olhos castanhos
havia o campo que
florescia perto de um
sorriso esquecido no
canto dos lábios
só não devia caminhar
sei que andando tropeço
sobre as horas e esqueço
que sempre estou indo
para me entardecer
parada, aceitando a noite
que agora bate na janela,
sei que é a saudade
nunca atrasada

Cáh Morandi

10 de maio de 2016

embora queira, é tarde
demais para apagar-me já que
quem sou está posta sob a luz
de todos os pensamentos
dolorida e lenta tento
viver dentro do que
é simples, pois é
por complicar que
a vida dói
como me desprender
da alucinante existência
para, despercebida, passar?
é difícil não ser
invisível

Cáh Morandi

9 de maio de 2016

amar tem sido um dia
de céu azul claro
sem vestígios de
nuvens navegando:
celebrar o amor com
os festejos de um dia
santo porque é em si
o milagre nascido de
um pedido intimo
te admirar e desprevinida
deixar tuas mãos pousarem
em minha cintura e sem
contestar seguir para
onde elas me guiam

Cáh Morandi 

4 de maio de 2016

primeiro apago a luz
da cidade, para depois
caminhar nas ruas
de olhos fechados
guio o amor às pressas
pelo tato nas paredes
dos lugares que
esqueço devagar
por saber que num claro dia
a dor me cegará anunciando
o fim, é para suportar que
acostumo a ver só o que
está por trás das vendas

Cáh Morandi

2 de maio de 2016

pega de surpresa, o amor
me atravessou a pele, me
rasgou a carne, devorou
meus ossos, converteu o meu
espírito e trocou as roupas
da minha alma exausta
assim: ao me beijar a testa
lavando meus os olhos, por
desacostumar com os afetos
e ser talhada pelas
antigas durezas. assim:
ao me despertar no abraço
e me emocionar por saber
segura e tocável - ainda
ouço teus planos a me convidar
para o futuro e só o que posso
é ser cuidadosa para não comprometer
a memória: te conheço
desde quando meu poema
apenas te imaginava

Cáh Morandi

1 de maio de 2016

por ser mulher e forte
por ser fêmea e frágil
por ter voz e discurso
por ter motivo e luta
por ser incabível não
me ajusto para entrar
no infinito e por ser
de fibra não me dobro
para cumprir o destino
por ter por essência a
liberdade, por ter por
identidade a coragem
e por ser sensível ao que
posso transpor ao mundo
em um só segundo quando
levantar o corpo e a voz,
guardo a revolução
para o momento oportuno

Cáh Morandi

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