30 de abril de 2016

das promessas,
não peço
que as cumpra,
mas não
as esqueça
é possível conviver
com as dúvidas
não saberia
com as certezas

Cáh Morandi
prestes a virar a página
a dobrar a esquina
a desatar os nós
próxima a abrir a 
porta certa, a
carta secreta,
a palavra perdida
sacrifico o último
esforço no segundo
que separa o agora
do que virá
por que o futuro
sempre é preciso
se nunca é possível
chegar?

Cáh Morandi

26 de abril de 2016

dentre os dias, há alguns que sou
capaz de repousar sobre o fogo e não
desdobrar o gesto frio que me cobre e
me recolher sem as perguntas roubarem
o sono, e não aflita perseguir o silêncio
até parar de causar incomodo
sei que é possível me dar o direito
da paz e aceitar o invencível pedido
de trégua nas lutas não escolhidas,
conformada, sei que o perdão
é o último refúgio que me espera
e também o último confronto
mas como esquecer uma
covardia?

Cáh Morandi

25 de abril de 2016

desde muito cedo fui castigada
por não aprender as doutrinas,
inclinada à beira da pia
soube que a sede vinha
antes da unção e da benção
naquele momento Deus orou
por mim e meu ouvido já estava
distraído com uma vida pássara
de asas bem abertas e sem rédeas
bravia e indomada cortava o azul
nuances de escuridão às vezes
e uma brecha entreabindo a luz
quase cega o coração sensível,
talvez tenha despertado cedo
e não sei o que fazer ao sol

Cáh Morandi
tenho as mãos sujas
de me cavar por dentro
para me tornar profunda
e ser sem consentimentos
e favores, referencia de amores,
nomes a me endereçar,
sobrenomes a me decifrar,
histórias a me definir
perto do fundo
descubro que
não há

Cáh Morandi

24 de abril de 2016

nesses tempos tento diminuir o
mundo e me nego a concordar
com qualquer sonho que me
alargue, qualquer passo que
me apresse, qualquer livro
que me desperte

desconstruo as horas apoiada
sobre o relógio e me limito
a existência do poema
que me desafia, parada,
vencida pelo silêncio e
palavra que não vem

me oriento pelas minhas
fronteiras e o que em mim
costura ser forasteiro aparto
com o movimentar dos dedos,
me mapeio escrevendo as
memórias, delimitando o espaço,
contornando, retorno ao ventre:
nascer requer cansaço

Cáh Morandi

12 de abril de 2016


perdoe por meu amor
não dar frutos, por não
florescer meus ramos
em delicadas carícias
por não respirar o sol
em minhas folhas de
existência e vida
não pense que não
conheci as primaveras
que algum dia não
exalei beleza e perfume
que não tive cores
me tornei profunda
envolta em mim
sob o peso estéril agora
permaneco semente,
somente e agradeco

Cáh Morandi

4 de abril de 2016

é a esta pequena faixa
de luz permeando as
fibras envoltas na
na vida que me apego
e encontro a chance
de me salvar, a utopia
resguardando o inalcançável
açoitado brutalmente pela
frieza dos dias, embora haja
tímido o sol; buscando em
resistir e não aceitar e me
sentir em fracasso junto
aos que andam ao meu lado
acordada e nunca dispersa
tenho sonhado outros amanhãs,
embora saiba que só o desejo não
mova as lutas dos dias,
é do sonho que crio
a realidade possível
e prossigo


Cáh Morandi

2 de abril de 2016

não fosse o tempo das
incertezas e das chagas
e o retorno íntimo não
previsto a me deixar frágil
não fosse a verdade
ter se apropriado do medo
e a palavra não ter
naufragado na garganta
não fosse os encontros
errados demorarem tanto
e o esquecimento pudesse
cobrir o que corrompemos
considero e não posso,
mas de onde te olho
o amor parece tocável

Cáh Morandi

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