30 de julho de 2015


desconfio do raio de
fina luz que me beija
a face; confio mais
na terra que vem
me escurecendo os
pés; a claridade
vem pra ofuscar
os olhos; caminhando
vou desfazendo os
caminhos

Cáh Morandi

28 de julho de 2015

possível nada


é possível ser 
mais falta do que
presença? ser não 
o que fica, mas o
que sobra? ser a
poeira, a migalha
à beira da mesa,
o gole que fica
no copo, o corpo
desabitado da alma;
ser próximo a nada
e ainda sentir muito?


Cáh Morandi

27 de julho de 2015

Encontro / São Paulo / 02 de agosto

Para quem quiser trocar idéias e conversar sobre literatura, Cáh Morandi,Guilherme Antunes e Moreno Pessoa estarão reunidos no Café Santo Grão, da Oscar Freire em Sampa (SP), no dia 02/08, às 14h30min.

Esperamos vocês por lá!

Páginas oficiais:
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https://www.facebook.com/oquevemdedentro


O link pra o evento no facebook está aqui!

15 de julho de 2015

se tu me fazes falta?
que ironia! é só olhar
o vazio da casa, essa
ausência em mim
de poesia, essa secura,
essa amargura em
demasia; todos os
excessos cometidos
são as faltas nesses
meus dias.

Cáh Morandi

14 de julho de 2015

nadas



voltar atrás, engolir 
a palavra dita, o pedido
feito, deixar a roupa
suja, ter dito sim, ponderar
o não. Ao menos rever
as escolhas, relembrar
que havia caminhos, e pedras
nas quais fiquei. Nada
nos devolve ao momento
que nos atormenta. Nada também
nos tira de lá.


Cáh Morandi

13 de julho de 2015



O tempo abre em nós o
peso da inconstância; sempre
novo, repetindo sempre as
perguntas e embaralhando as
respostas. Digo de onde venho, 
mas confio a história ao que
logo ali, virá. Tempo. Pela fresta 
que te vejo és sempre tão pequeno
para dolorir, tão grande para
me diluir.



Cáh Morandi

12 de julho de 2015

A. A.

De todos os amores, dos intensos aos mais calmos, dos duradouros aos mais rápidos, dos de cama aos de planos de vida. De todos, todos os que vivi, só ficou o seu. Que me visita em tardes como essas, no litoral de uma saudade que não sabe ser preenchida. Temos todos os anos entre nós. Temos as palavras ditas e as que não tivemos coragem de dizer. Temos os erros. Eu tenho o peso da culpa, você tem a leveza das lágrimas. Tatuei você sobre e sob a pele. Não importa tudo que veio depois, tudo que construí tentando me separar de nós, fui sempre sua. Guardo minha aliança, os sonhos e um pedido de perdão que você não pode me dar.
São 7 anos em que vivo uma eternidade.

Cáh Morandi

3 de julho de 2015


Não, dessa vez o amor não perdoará. Não terei a chance de pedir desculpas, de fazer o que é certo. Você não encontrará nessas palavras o meu pedido de perdão e não espalharei por aí meu arrependimento. Sou extremamente hábil em ser incompetente quando estou à frente do que quero, sou insuficiente quando deveria ser exata, perco os argumentos quando brigo e quando posso confessar tudo que penso, esqueço o que decorei para dizer ao pé do ouvido. Sou esse medo, sou essa paralisia, essa inconstância. A minha vida está sempre com um nó na garganta. Estou sempre quase, e isto é meu melhor por enquanto.
Se fosse possível, você poderia me esperar?

Cáh Morandi

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