14 de janeiro de 2015

Depois

O amor chegou depois, quase no fim da esperança. O amor chegou quando não sobraram mais individualidades, quando abri meu peito ao mundo e disse: "entre". O amor chegou quando as emoções penetraram no meu intimo e desnudaram minha alma. O amor chegou quando meus olhos passaram a ver além do tangível e sentiram o precipício por trás de outras retinas. O amor chegou depois que compreendi a rotina, aceitei a falta de sono, aprendi a ter paciência com as crianças. O amor chegou quando eu comecei a me despertar para as flores e compreender que um jardim é válido se meus vizinhos podem vê-lo. O amor chegou quando deixei o riso ser agudo. O amor chegou quando aumentei o volume na minha música predileta - e dancei. O amor chegou quando esqueci de colocar o pijama para dormir e apaguei no sofá, distraída em governar meus próprios limites. O amor chegou quando eu passava um café sem pressa numa manhã longa de domingo. O amor chegou depois que não me culpei por perder horários. O amor chegou junto com a desordem, me ensinando a desaprender para aprendê-lo. O amor chegou quando tudo em mim havia sofrido partida. O amor não chega quando ainda temos razão.

Cáh Morandi

9 de janeiro de 2015

Eu estou com medo, eu estou morrendo de medo. Eu queria que você me conhecesse um pouco mais para saber que toda essa frieza, é na verdade, simples e puro medo. Medo de dizer que te amo. Medo de dizer que penso em você a cada minuto do dia. Medo de te ligar e me confessar. Medo de saber que você está amando outra pessoa. Medo de ter que te olhar novamente e agir naturalmente, quando estou no desespero de te beijar. Medo de encostar minha mão na tua e relembrar os teus dedos por toda minha pele. Medo de ir nos mesmo lugares que fomos juntos e reviver o som do tua risada. Medo de abrir meus emails. Medo de perder uma ligação tua. Medo de abrir os livros que lemos juntos, porque sei que ainda ouvirei tua voz sendo pausada pelos suspiros. Medo de comprar manteiga aviação porque ela tem o gosto que gosta o teu paladar. Medo das músicas que ninguém ouve, porque só nós dois sentimos. Medo de não saber o que fazer com o que eu sinto. Medo de ser agir ridiculamente por amor. Medo de ter você. Medo de te perder. Não agir, estremecida de medo, não te tira e nem te traz para mim. Medo de saber tua resposta. Medo de não ser tua resposta. Me perdoe por esta ausência, pela forma dura com quem finjo que você não existe. No fundo, é só amor. Um amor repleto de medo de existir.

Cáh Morandi

8 de janeiro de 2015

Amo cada uma das nossas lembranças, nenhuma delas irei substituir por um amor do futuro. Gosto da forma que você leva a vida e tenho um extremo desgosto pelo jeito que dei de continuar caminhando. Penso em te ligar certas noites, como hoje, como agora, e confessar que a falta que você me faz me ataca insuportavelmente e que desconfio que talvez te ame, mesmo agindo como se não. Mesmo nunca te dizendo. Mesmo sendo eu a analfabeta sentimental que colocou um ponto final em um possível amor-para-a-vida-inteira. Me perdoe pela falta de jeito, pela falta de carinho, pela falta de presença, pela falta de doação, pela falta de verdade, pela falta. Pelos danos. Pelos desastres. Pela insuficiência de ser o que você merecia. Pela covardia em não te amar com a mesma coragem que deixei. Perdoe pela chegada sem aviso, pela saída prematura. Perdoe pelos beijos menos intensos, pelo sono no meio da tarde de domingo, por colocar um despertador para todo sonho. Me perdoe porque não sou fiel a poesia que escrevo. Não sou essas palavras. Mas o que restou de mim ainda é o que é seu. Fui embora em você. Preciso ir me buscar.

Cáh Morandi

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