23 de janeiro de 2014

Namoro com ele


Namoro com ele porque é nesse instante que (sobre)vivo a felicidade. Namoro com ele para contrariar tudo que acredito, que julgo, que desconfio. Namoro com ele para descobrir novamente meu corpo e as canções antigas de algum lugar bem antes de nós. Namoro com ele para agora compreender os poemas, e ficar, e demorar, e reler a mesma página para nos encontrar muito além das palavras. Namoro como ele para beber mais água, para comer mais devagar, para usufruir melhor do sono e me submeter as mudanças que acontecem não só no coração, mas também no corpo que agora também é dele. Namoro com ele para replanejar todos os planos falidos do passado, as viagens adiadas, o apartamento desejado, as cores e objetos da nossa sala. Namoro com ele para escolher os nomes dos filhos que teremos, e antes de adormecermos ficamos entre Andrés, Luizas, Helenas, Claras e Felipes, gestando em nós a rotina que um dia mudará. Namoro com ele para mudar minhas reações, minhas irritações, minhas ansiosidades, porque ele sempre surpreende, sempre discorda, sempre atrasa. Namoro com ele porque dividimos a louça, dividimos o banho, dividimos a cama. Namoro com ele para escolher sempre o melhor vestido, o hidratante que amacia melhor minha pele, a cor que deixa meus cabelos mais castanhos com o sol. Namoro com ele para encontrar quem sou, quem fui e quem quero ser ao seu lado, sem jamais imaginar a vida solitária outra vez. Namoro com ele para amá-lo com suas virtudes e defeitos, com seu melhor e seu pior, para beijar cada cicatriz do seu corpo sem querer saber as histórias, para recompor o que ele já perdeu pela estrada, para dar minhas mãos à ele sem destino, mas com segurança de ancorar. Namoro com ele para descobrir que o amor não é nada do que eu pensava de perfeito. O amor é um vazio abismal e profundo, que só se preenche um no outro.

Cáh Morandi

17 de janeiro de 2014

aconteceu de ser de repente
e no meio de tanta gente
uma multidão de amor
nos deixou a sós
frente a frente

Cáh Morandi

Amei e não me culpo. O amor não é um laço para o arrependimento, mas sim o caminho do amadurecimento. Não poupar o beijo, não tardar a pele. Conhecer-se na entrega: estar no outro para poder "se estar". Deitar sem a pressa do relógio, permitir o delírio das palavras flutuantes com o corpo em um abraço. Pousar a mão sobre o peito e esquecer-se. Repousar a cabeça sobre o coração do outro e ser embalado pela sua respiração. Vivo de ser livre me prendendo em outras mãos. Amar como se o dia-a-dia não existisse. Amar com o mais profundo que pudermos sem economizarmos os “euteamo”. No final doerá, sempre doerá e será dilacerante. Mas se a dor não poupa, porque pouparemos na intensidade do que nos causa?

Cáh Morandi
sinto paz em nosso amor
discreto das agitações
do beijo leve, que leva
do abraço seguro
com ar de liberdade
e gosto da forma
que pesas teu peso
e demoras afundando
teus olhos nos meus
até me encontrar tua

uma leveza em nós
com a infinidade
de sermos
sempre


Cáh Morandi

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