3 de junho de 2014

Mea Culpa

Antes que se perca este instante que me invade, vou te escrever algumas palavras. Não se engane, e nem me engano, talvez isto seja mais para mim do que para você. Não sei lidar muito bem com o amor, falta de prática ou talvez excesso de tentativas.  Da última vez, sei que estraguei tudo, sei que coloquei seu coração em dúvida, sei que torturei seus pensamentos por dias, que talvez tenha até roubado intencionalmente parte do seu sono. Mas as palavras não encontram descanso em minha garganta, e entre um beijo, e enquanto suas mãos brincavam na covinha do final das minhas costas, eu disse. Disse que gosto muito de você para aprisioná-lo a mim. Disse que não estou pronta. Que tenho medo. E que ainda há um passado em mim que não desfaz as malas. Não, não é amor... é apenas um passado. Gosto do que temos, da intimidade que construímos anos e anos. Você que me encontrou menina e comigo se tornou homem. Nos vimos amadurecer. Nos vimos amar e desamar. Nos vimos nas despedidas e nos encontros. E é isso que quero que entenda: não cabe a nós sermos um casal, porque somos a melhor dupla que conheço. E somos mais, bem mais, porque somos cúmplices. Conhecemos nossas raízes e nossos frutos. Conheço teus fracassos. Você sabe os meus escândalos. E por toda vida, até aqui, você sempre foi o abraço que reteve quando me machuquei andando pelo mundo (e quero que continue sendo). Por favor, não estrague. Por favor, não me ame. Não é com você, é comigo.  Foi sempre comigo que o amor sacaneou.

Cáh Morandi

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