9 de setembro de 2013

Aceno



Foi em que traço, personalidade? Em que noite, madrugada se endereçou? Em que face foi mesmo que o amor ficou? O amor sempre será esse lado menos exposto, arranhado no corpo, com ares de futuro. Se entrega à próxima composição, mas segura os sinais. Desabotoa represas, mas encolhe os canais. Suspenso-lento-ardendo. O amor sempre será esse teu lado que não desemboca, que não vem à tona, que não vale meu sopro, minha noite, minha pena, meu poema. Não diz, não age, é inerte, insosso, imaturo, indeciso, impreciso ao que preciso, agora. Quanto mais abandona, mais me encontra: providencial; um lado meu que só renasce porque te espera. Acredita ainda, e envelhece. Renasce porque te melhora. Renasce para que no ventre dessas entregas, uma palavra pequena aborte as próximas distâncias. Uma palavra só, ou uma ponta de coisa-qualquer que valesse uma poesia. O amor sempre será esse hiato que não se desenvolve. Essa pedra que onda bate e não se dissolve. O amor sempre será alguma coisa sua, que não me resolve. Que não absorve. Que não me suga. Que não me seca para que eu me molhe. Que não te recomeça. Que não te escolhe. O amor te acena. Agora temos pressa.

Cáh Morandi & Priscila Rôde

2 comentários:

Mª Fernanda Probst disse...

Triste isso do amor ser e não ser. Machuca.

Linda parceria ♡

Alexandre Lucio Fernandes disse...

O amor é a delicadeza do toque sutil, aquele que nos afaga com simplicidade, no silêncio de um momento, no sumiço de um olhar. Está na face de quem olha com carinho e desvelo, e na suavidade germina encanto no ar, algo criptografado que apenas se faz. Mesmo sem ser óbvio, sendo uma transfusão de vazio, poema sem rima que desentala maravilhas. O amor acena sem se evidenciar. É neste pequeno momento que notamos o quão verdadeiro ele é.

Linda parceria. Cáh e Pri. Poesia pura!!

Beijo!!

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