4 de maio de 2013

Rendição


Acho que começa agora o estalo que a vida dá. Recolho-me sutil dentro da tua estrada. Salto feliz no teu ombro - sei que me melhora enquanto respiras. Percebo que sua mão é mais tímida que a minha, mas nos damos. Entre-nós. Repousei descuidadamente meu olhar na tua chegada, não esperava que teus passos, um a um, rentes a mim, me desarmariam da possibilidade. Imóvel, vivi as feridas para te encontrar na cura. Perco os lábios para o beijo que ainda está na tua boca. Me comovo à entrega para as palavras que pairam em tua garganta. Recebo-te e acolho a tua novidade. Preencho tuas frestas. Cobre-me das incertezas. Desinstalo a desesperança do corpo: você me devolve. Me inclino suavemente pro teu abraço. Avanço uma casa, um sorriso. Disparo, num descuido, em busca da razão que te prova mas, só te encontro. Você me simplifica. Vence-me para me recuperar nos teus braços. Não nos ganhamos, fomos vencidos. O amor é um poema que construiremos.

Um comentário:

MF Probst disse...

Que dupla perfeita. Doçura em dobro ♥ ♥ ♥

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