2 de abril de 2013

(in)domada



Você dói em mim. Você me fere. Sinto você arder. Não quero que pare. Também não há cura sem você. Melhor sangrar do que viver sem as marcas de uma grande vida. Pareço calma nesta pele claríssima, mas também escondo as garras por trás de um olhar sereno. Me mostro rasa, mas sei que sou profunda. Sou forte para resistir a tua força. Sou leve para pesar sobre teu corpo. Escolho boas palavras, te desarmo com meus dedos. Os arranhões são também beijos. Abraços são armadilhas. Minha mão em tuas costas desenha meu pedido. Tuas mãos em minha cintura pontuam meu destino. Se te guio com o que pressinto, você altera o futuro. Você tira de mim o grito, eu dou para você também o riso. Entro em ebulição se você se aproxima. Tive que desaprender as manhas da minha fera. Busquei a liberdade para me dar para você.


Cáh Morandi

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