25 de março de 2012

Amor, não.




Queria poder te encontrar, uns segundos apenas
Ver se o tempo teria conseguido nos vencer,
Eu sinto que nem toda água do mar
Poderia apagar, levar, nossos dias
Nossas alegrias espontâneas
Nossa felicidade que só precisa
De um riso e de um mundo fictício

Sinto sua falta.

Talvez sinta tanta falta que passo
A vida deixando espaços vazios
Na esperança de que você pudesse preenchê-los
Você sabe, eu sou tão boba às vezes
E crio esperanças que serão em vão
Tenho quase certeza, não te verei mais
Não vou nunca mais sentir aquela sensação
De te ver pela primeira vez, a segunda, a vigésima
Não mais, não mais amar com as impossibilidades
Não mais descobrir teus lugares preferidos

Guardo teus poemas escritos da Irlanda,
Embora não saiba o que sou hoje na tua vida,
Quando leio aquelas palavras, posso ainda
Me sentir amada.
Se neva bruscamente em Nova Iorque,
Te imagino na solidão das multidões nos trens,
E os dias passando vagarosamente,
E estou de mãos atadas.


Não quero nada,
Não escrevo essas palavras pedindo amor,
Não me declaro criando qualquer expectativa,
Pois sei que esse tempo não é mais nosso.
Só escrevo para não esquecer quem você foi
Naqueles dias de dezembro,
Escrevo porque preciso regar o lírio
Que você me fez acreditar ser.
Escrevo não porque te amo,
Mas porque ainda gostaria de amar.




Cáh Morandi

5 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Se algum dia eu for à Irlanda, visitarei a fábrica da Peterson.

Fabi Anselmo disse...

Cáh,

Doeu aqui dentro.
Doeu de lindo e de doido mesmo!

Shakkitti disse...

Que lindo, menina! Até parece que foi escrito para mim...É bem a minha estória!
Beijos!

Val Santiago disse...

Tu tens uma sensibilidade na alma que é algo impressionante! Doeu ao ler, lembrar de um amor que está do outro lado do oceano, que talvez eu nunca mais o verei, e se o vir,já pode estar arranjado! Senti como se fosse as minhas palavras!

Pully Deracco disse...

Nossa....é como um sopro de ar nos cabelos ao entardecer......lindo....Maravilhoso!!!

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