10 de agosto de 2011

um som para não esquecer



Eu poderia ter gritado mais alto, mas nem sempre o desespero exige a palavra ou o tom grave que agride os sonhos que dão adeus. As malas cheias de roupas e decepções. Por que nenhuma salvação a tempo? Por que nenhum gesto voluntário de desculpa? Aí se foram as canções que Chico nos cantava pela manhã, aí se foram os sons dos nossos movimentos pela casa, aí se foram as melodias que o vento criava em nossa janela, aí o bipe da campainha começou a desafinar, aí tudo que tinha sintonia e harmonia já não mais existia. E na despedida se conhece um novo som, de significado e que ecoa: as portas batendo em tom de nunca mais.


Cáh Morandi


12 comentários:

Dja disse...

Oie lindona.

Esse é um som daqueles que mais dói, mas porta que se fecha e janela que se escancara, recomeçar, começar de novo e vamos a outros sons.

Beijinhos.

♥ Luciana Mira ♥ disse...

Ah, como gosto tanto do que vc escreve!

Michele Santti disse...

Que intenso, amada.

Um beijo,
Mih

Camila Lourenço disse...

Caraca...
que triste!

Erica Gaião disse...

Cáh!

É esse som que eu ouço. A infindável melodia entoando "porquê´s", com sua voz aguda, gritando aqui dentro. E quando eu tento abrir a porta, não encontro nada além de uma ausência sentida.

Triste, como são as saídas sem despedidas. Maz quem não experimentou uma saída dessas?

Encontrar palavra bonita para transformar uma dor em algo poético é tarefa árdua. E só encontra quem enxerga a vida com poesia. Você encontrou um jeito lindo de dizer uma dor, que talvez nem seja a sua dor, mas com certeza é a dor de alguém...

Beijos, querida!

Erica Gaião disse...

Cáh, corrigindo o erro de digitação: Triste, como são as saídas sem despedidas. Mas quem não experimentou uma saída dessas?

Meu s e meu z são coladinhos.

Beijos

Andressa disse...

Doeu na minha alma o grito que nem se quer existiu, mas que doeu por não ter gritado alto o desespero.

Priscila Rôde disse...

Ai...

Rachel Nunes disse...

Som de despedida, que agride o coração, desafina a alma e bate na teimosia.
Som real. Som que não permite esquecimento.

Beijos!

Carlos Leite disse...

"Na despedida surge um novo som"

É mesmo verdade, pois, sempre que uma oportunidade se perde surge outra.
Tanto significado que isso tem na minha vida.


Atenciosamente,
Carlos Leite, http://opintordesonhos.blogspot.com

ઇઉ Paula Patrícia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ઇઉ Paula Patrícia disse...

Esse som ainda ecoa em mim.

Curta