28 de novembro de 2008

aviso de chegada


Tenho vindo de longe
ao teu encontro
atravessei continentes
e terras que não tem nomes
comi um pouco de fome
tornei-me estrangeira
de mim mesma


Espera
estou quase no fim do caminho
me reserve para a chegada
um pouco dessa tua doçura
para que quando eu te beijar
o gosto amargo da distância
se dissolva como se nunca
tivesse existido



(Cáh Morandi)

27 de novembro de 2008

23 de novembro de 2008

with closed eyes


para as coisas que existem
sem remédio, sem solução
que te tragam tédio,
desespero, frustação
há outras mil coisas
que são bonitas
que são doces
que são felizes

e se você não achar
nada de bom ou de maior
você cria alguma coisa
qualquer coisa boa que não existe

e se você botar fé nisso
essa coisa vai começar a existir
mesmo que ninguém veja
mesmo que só você acredite



(Cáh Morandi)

22 de novembro de 2008

um presente aos leitores

Amor de índio
Letra de Beto Guedes e Ronaldo Bastos



"No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar
E andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
E ser tudo

Sim, todo amor é sagrado"

18 de novembro de 2008

a little luck



Sonhei que ele me amava
e que chegava invadindo as portas
de casa; sonhei ou delirava:
ele me amou pela sala, até amar
a minha alma; sonhei e desejava:
entramos tão dentro um do outro
até que eu engravidasse de um filho,
de uma luz e clarão tão fortes
que deram cortes na noite:
abortamos o dia, quem diria,
que tivéssemos tanta sorte.




(Cáh Morandi)

15 de novembro de 2008

faces

não estou no espelho,
não sei o que vejo:
é uma espécie de bicho
maquiado e vaidoso
é horroroso
e se parece obscuro;
é uma espécie de flor
florescendo e abrindo
é lindo
e se parece pintura;
é uma espécie desconhecida
calma e abusiva
é erosiva
e se parece loucura.


(Cáh Morandi)

13 de novembro de 2008

Tenho confundido os dias
com horas ligeiras ao
meu domínio

Tudo é muito duvidoso
e suspeito –
suspenso –

Confundo esse “amor” –
não há de ser amor
aquilo que é milagre


(Cáh Morandi)

9 de novembro de 2008

Que me leve


Mas era isso, e ninguém sabia
Que eu te queria, eu tinha um silêncio
Mas era isso, e era uma vida
Que eu te daria por um pensamento

Mas era risco, e alguém havia
Que eu te cabia, eu tinha um corte
Mas era risco, e era uma via
Que eu te percorria por uma sorte

Me fez uma pequena maravilha
Me ilumina, eu viro estrela matutina
Que ainda de dia não pára de brilhar

Me fez uma grande ventania
Me fascina, eu reviro madrugada
Que ainda calada não para de vibrar



(Cris de Souza e Cáh Morandi)

7 de novembro de 2008

Furacões e Suspiros


Você que me pega pelos braços
me jogando no meio de uma tempestade
afundando um olhar tão castanho

me toca, acorda os vulcões adormecidos:
eu que adoro me queimar no fogo

me gira, desperta em mim um furacão:
eu que não sei lidar com os ventos,
que perco o ar enquanto te admiro,
eu que já me contento em soltar
no teu pescoço um suspiro



(Cáh Morandi)

4 de novembro de 2008

Corpo aberto


Meu corpo aberto sobre o seu
chama que inflama
carne que vibra
as veias marcam a pele
o sangue ferve
breve, leve, rítmico
movimento, movimento
m o v i m e n t o
mãos deslizam molhadas
suam pelas coxas
força, prende, descobre até
o fundo do ventre:

E X P L O D E M

se fala qualquer língua
se ouve qualquer gemido
arde, consome,
afundo no desejo:
- não pára, não pára...



(Cáh Morandi)

2 de novembro de 2008



Sair da vida de alguém
não é um caminho que segue
e sim uma estrada de volta:
desmanchar só um lado da cama, um prato
sozinho sobre a mesa, nenhum recado
colado na geladeira, a casa intacta, a louça
se acumulando na pia, madrugadas mais
frias.


Voltar,
até as esperanças ficam
nos retratos que serão recolhidos.
Voltar,
ter a mala vazia e estranhamente
mais pesada.


(Cáh Morandi)

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