30 de março de 2008

Santuário



Me leva a um amor profundo
sem destinatário


Me leva a outro mundo
de desconhecido itinerário


Me leva num segundo
onde o nosso amor é santuário.

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(Cáh Morandi/Emil/Pedro/Cesar e Augusta)


29 de março de 2008

O que resta, amor?


Vem comigo para onde não sei que vou
Esquece dos bilhetes no espelho
Eu sou o mesmo do primeiro beijo
Que hoje de manhã você roubou

Que sacanagem, como a vida acontece
Mas vê se não desaparece como tudo em mim
Saiba que tudo antes de ti era companhia ruim
E não diga que esquece vai, ninguém merece

Não vista as roupas com a mesma pressa
Se o que (de verdade) interessa está por vir
Seus olhos gritam, você vai ter que convir
Que não é esse único adeus que nos resta

Eu me lembro quando te vi, como me senti
Como você me fez mudar todos os meus planos
E eu, determinado lhe entregar meus futuros anos
Ouço mudo, sua teoria de viva a vida, será que perdi?


E se eu quiser mais de nós dois
Agora, para sempre e depois?
Abraço o clichê chato
De Louco apaixonado?



(Cáh Morandi e Henrique Bastos)

27 de março de 2008

Das insignificâncias da vida




Bastava o perfume que os cabelos deixavam nos travesseiros
E aquele beijo trocado em plena tarde de uma segunda feira agitada
Bastava aquela conversa sobre um assunto sem nexo no café da manhã
E as gargalhadas do ser amado vendo TV em plena madrugada
Bastava estarem abraçados e ainda deitados num dia preguiçoso
E implicarem antes de um passeio por causa de uma saia minúscula
Bastava mesmo que fosse uma briguinha antes de começar o dia
E você ficar pensando o dia todo em alguma forma de reconciliação
Bastava que ele chegasse, mesmo esquecendo das compras da semana
E que ela te perguntasse a cada minuto se você a amava


(...)São nessas pequenas horas que se descobre ter sido feliz,
Mas isso é coisa que demora uma vida toda para se perceber



( Cáh Morandi )

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26 de março de 2008

Fortaleza


eu não quero perder nada
dos meus erros e acertos
é com muito tropeços
que se aprende a ser grande;
que em muito há de ser tolerante
que a fé sozinha não é o bastante;
quero passa por tudo, em tudo
aprendendo de todos;
calando mais meus impulsos
escutando mais de meu Deus;
porque daí eu eu sei
que eu vou estar pronta
e que amadurecer não é somente
uma questão se ter sorte,
que embora assim pequena
eu vou ter aprendido a ser forte


(Cáh Morandi)

Penso tanto!




Eu procuro me manter distraída
Versos, sonhos, a toda hora: poesia!
E meus passos rápidos pelas avenidas
Vão sempre calmos nos caminhos da vida
E eu te olho, (re)olho, depois eu penso:
Penso em quantas formas te posso pensar
Eu danço no meio do destino
Vendo se ele consegue me pegar
Deslizo, escapo, sou pássaro no ar
E eu te desejo amar tanto
Mais do que qualquer humano
Já ousou amar
Eu procuro me manter distraída
Pra de vez em quando não lembrar
De tanto sentimento que carrego
E que deposito em teu olhar



( Cáh Morandi )


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25 de março de 2008

In(corpus)


Existem muitos corpos
E há um que dia desses
Vais encontrar nu em tua cama;
Podes deixá-lo ali, podes usá-lo,
Podes o dares adeus mais tarde;
Mas se tu pegares esse corpo
E amá-lo
Ele nunca mais será somente
Um corpo


(Cáh Morandi)

Sobretudo no nada




1.
e hoje tudo voltou a dormir dentro de mim
como sempre acontece depois do tempo
em que a paixão avassaladora esfria;
tudo morre, e é somente inicio do outono
mil pétalas de mim espalhadas, arrastadas
em terras que nem ainda tem nome


2.
o silêncio é sempre o que diz tudo
nisso tudo em que a tristeza são cacos
dos vidros espalhados para os pés nus;
o mundo é só o mundo para o que vejo
a menina dentro de mim descansa
e eu sei, ela não vai mais despertar


3.
então a menina que não mais vivia
ainda estava vestida com roupas de festas
e na face o sorriso sumia por tanta espera;
não mais se fazem esperanças como antes
e foi falta de fé ou foi ausência de crença
que nos toma as crianças que nos habitavam


4.
que saibas que eu não pude contra tanta falta
que noites seguidas o frio me abraçou
e eu fraca, indefesa me rendi a esse alento;
abracei tanta ausência de tudo que estava perto
sem fome, sem nome, sem uma lembrança
fui apagando nos retratos e fotografias;


5.
tomei o café amargo de pó e de lágrima
vesti o sobretudo preto sobre o nada
e quem dera que a espera valesse
ao menos o perfume que foi gasto;
quem dera que os amores durassem
a tempo de todos os sonhos cometidos;



(Cáh Morandi)

24 de março de 2008


eu posso não saber muito
do que a vida é
nem tive tempo ainda
para errar tanto
mas se te falta um conselho
que seja bom ou ruim
é que nisso tudo
de se ser feliz ou coisa do tipo
o amor pode até não ser regra,
mas não deixe ele ser exceção




(Cáh Morandi)

23 de março de 2008

Sem sentido



Outra noite
quando fizer amor contigo
e ao pressionares tua barriga
contra o suor de meu umbigo
talvez... as coisas perderão
um pouco do sentido;
talvez... eu te deixe em silêncio
ao beber teus sussurros ...gemidos


Ao alcançar teu céu
Perdi meu chão...



(Cáh Morandi)

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21 de março de 2008

O não-beijo


É estranho pensar que os beijos
São melhores antes de cometidos
Tem o gosto bom do pecaminoso
Enquanto moram nas expectativas;
Eu lembro o quanto você dizia,
Do quanto queria os meus lábios
E no dia em que te beijei, eu não sei,
Se te encantei ou te causei espanto





(Cáh Morandi)



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18 de março de 2008

Sem tremer




Eu estive sempre pronta
fosse qual fosse a hora
fosse qual fosse o dia;
nunca duvidei, nunca tremi
diante a face do inesperado;
foram queimaduras ao sol
foram mergulhos em tempestades;
eu respirava fundo a coragem,
eu mantinha intocável a fé;
eu resisti ao mal dos olhares
apesar dos imensos pesares
eu sempre fui o melhor de mim



(Cáh Morandi)

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O amor se apaga


1.
me lembro que eu escrevia
sobre a dor de um outro amor
você leu, se apaixonou
por muito tempo eu não quis
provar do amor novamente;
e você tomou meu coração
com tuas mãos cansadas
num ato de ultima esperança;
eu deixei me levar
fui encontrar com teu
abraço faltoso e insone;
senti que você me amou
(ao menos tentou);


2.
o tempo sempre sufoca e
desacelera os grandes amores,
até aqueles que se juravam eternos;
não seria diferente com a gente
porque eu não sei na sua cidade,
mas aqui tem chovido todos os dias
e eu estou triste de novo
como era antes desse encontro;
na verdade, eu acho que hoje
sou bem mais triste,
pois é uma dor em cima
de outra dor;
e eu vejo que estou deixando
minha vida cheia de feridas abertas;
meu querido, eu estou sangrando;

3.
nunca mais pense absurdos,
não quero presentes caros comprados
(eu quero amor antes do café da manhã)
começo a perder a fé, as forças,
o mundo explode a cada segundo
e o céu desaba em minha cabeça;
eu não sei por qual caminho
você tem escolhido seguir,
mas sinto nossas mãos se
distanciando mais e mais;
não grite, não fale,
não minta sobre as coisas
que você não pode sentir;

não acredite nesse sentimento
que você não tem por mim.



( Cáh Morandi)



17 de março de 2008

Palavra feia



No fundo nem sei se sou fruto, se sou pecado, se sou santa do mal encapuzado. Não tenho gosto de maracujá, mas tenho cheiro no corpo todo, nos cabelos, no andar. Sou açaí, sou pitanga amarga, sou manga doce, sou tudo "como se fosse" e no fundo nem o que ousas imaginar... Sou mais do sentir, sou mais do tocar... Sou como a palavra dificil e feia, mas que tem um significado bonito e que só o nome é esquisito de se falar. Não sei do que me visto para ti, se de verso ou se de rima, se de fruta ou fantasia; mas no fundo ser o que sou (e desconheço) me fascina, porque posso provar o gosto selvagem da vida em sua seiva que em mim germina.



(Cáh Morandi)

16 de março de 2008

Meu Mundo






Não sou sua
Sou da rua
Sou estrela
De céu e de mar

Não sou minha
Sou do avesso
Sou refresco
De brisa a sonhar

Crio um mundo
De cores claras
Poesias raras
Flores pra beber

Sinto profundo
De respirar magia
Rimas de amor
Pétalas pra colher


~Cris Poesia & Cáh Morandi~

Amor na pele


eu gosto
quando beijas
minhas mãos,
minhas costas;
eu gosto
quando fazes
amor com minha
pele,
quando amas
cada pedaço meu
com tua boca
antes de
devorar-me
inteira



(Cáh Morandi)

13 de março de 2008




não quero mais dormir
depois do meio dia;
(não quero mais dormir
enquanto for dia)

passa tudo tão depressa
e ao menos quero encher
os olhos de beleza
(de muita beleza);
Lotar minha retina
do tempo avassalador;

ter no corpo: vigor.
ter na alma: amor.
(Cáh Morandi)

12 de março de 2008

O amor não cansa




- Espero chegar logo em casa...
- E porque tamanha pressa?
- Hoje quero te amar até ficar cansado!
- Mas do amor nunca se cansa...



(Cáh Morandi)

10 de março de 2008

Sob você



quando Deus me deixar
falar de amor
com convicção e
verdade


quando Deus me
abençoar ao encontrar
as palavras
certas


vou (de)escrever
sobre você;
enquanto estive
sob seu corpo



(Cáh Morandi)

Balancê


Os cabelos livres
Brincando com o vento
Contra o claro do céu
Faziam rima e verso

Balançar de ourives
Embalando sentimento
Descobertando o véu
Sonhos de seu universo

Pés que não tocam o chão
Que apontam ao paraíso
Afeto, tua varinha de condão
Coração de amor vestido !


~Cris Poesia & Cáh Morandi~ ~

9 de março de 2008

não sei



eu não sei amar, meu amor
eu não sei te amar
sem amor.
.
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(Cáh Morandi)

poesia que nasce e morre


eu estava no chuveiro
dando banho na alma
doce e calma
molhando os pensamentos;
daí veio uma poesia
que eu declamava
e formava bebendo
a água que escorria;
era uma poesia linda;
era minha melhor poesia;
tinha a rima incerta
e a dose certa
entre o amor e alegria;
Sai do banheiro
na expectativa
de colocá-la no papel,
mas não consegui;
nunca mais encontrei
aquelas palavras certas...

e me bateu uma tristeza
de deixar morrer aquela
poesia que foi tão bonita,
que foi tão minha e tão lavada;
sosseguei, mas demorou para
entender... dessas poesias
que só nascem e somem
a tempo de serem sentidas.
.
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(Cáh Morandi)

7 de março de 2008

Pequena


nada de imenso
nada de absurdo
sem palácios
sem reinos


me agrada uma casa
pequena
que já basta
a vida de grande;
e tendo o teu
amor ao bastante
tu me entregas
a felicidade
inteira.






(Cáh Morandi)

A todo instante


no fundo o passado
fica borbulhando
no presente
e se te afastas
das lembranças
elas te esperam
ali na frente:
vivas no futuro

mas entendo
que isso é no fundo
que se sente
e de muito
e de tanto;
tão de leve
tão recente
que tantos anos
tanto tempo
tantos rostos depois
e parece
que o passado acontece
a todo instante.

.
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6 de março de 2008

Quanta "coisa"


quanta "coisa" que falta
entender ou desentender
do coração da gente
do amor que se sente

devia doer?
devia arder?
talvez... talvez sim
enquanto
o amor persistir
enquanto
o amor existir
enquanto o amor for tudo isso,
enquanto for aquela "coisa"
que salva e mata
que fere e cura
enquanto o amor for loucura,
... um total desentendimento

amargamente doce
fortamente suave
... sentimento.
[Cáh Morandi]

5 de março de 2008

Ultimato


Preciso me deparar contigo
Dia desses, sem compromisso,
De surpresa, com beleza,
Com calma e espanto

Preciso da cor do teu riso
Liras dessas, sem frescura,
De alento, de cândura
Com pressa e remanso

Vai lá, deixar nosso tempo
ser a dose pura e sem medida
de tudo em que és encantamento,
doçura, leveza e serena vida

Vai lá, brilhar nosso momento
Ser o olhar de brisa e vertigem
De canto em que és alumbramento
Ole que flui, vigor que me brinda !

[ Cáh Morandi e Cris Poesia ]

4 de março de 2008

Trêmula



três estações se passaram
desde aquela vez
em que você desenhou
seu mundo aos dedos
em minha barriga
(seu mundo de terremotos,
intensos, quando eu ria)
e como as coisas que acontecem
sem que se perceba a tempo
o amor foi passando
a gente se estranhando...
os planos desfazendo;
você me deixou te lembrando
eu te deixei me esquecendo...



mas será que pensas
se eu ainda sinto o doce
trêmor de teus dedos?




[ Cáh Morandi ]

2 de março de 2008

Vôos de uma partitura



Com olhar luminoso
come estrelas
a menina
transcendendo a música
da alma
corpo celeste
nos dedos agônicos
do não dito
in vôo uni forme
chocolate pinga
a lamber sonhos
bocejantes
a menina se ria
afundava mãos na terra
vestido florido
de novas primaveras
cabelos leves na brisa
ela girava em terras rosas
inventadas imaginação com asas,
de pequena borboleta.

** Gaivota **& Cáh Morandi

Em letras Evaporadas





Ah! Meus ouvidos
ouçam o mar que arrebenta à praia
Ah! Meu sol, diz pras margaridas
gargalharem no colchão
durmo doces suspiros
Ah! Meu perfume
envolve jasmins, deita a meu lado
quero acordar sentindo tua brisa
Hoje o dia sangrou tragédias redigidas na vida
preciso evaporar em letras macias.
Estendo o corpo
abraço o tempo que está por-vir
Ah! Quantas coisas vivem apenas
na vontade ou na memória
Ah! Minha história torta e
certa pelo avesso
Ah! Meus pesadelos verdadeiros
guardando segredos em livro


Apaga-se no céu a lua
nua
sorrio pra noite escura
uma estrela que é só tua



** Gaivota ** & Cáh Morandi **

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