25 de agosto de 2008

Por enquanto


Deus, eu sei que tu me ouves. A madrugada inteira ficou me cutucando, muito espaço para a saudade se estender. Levantei incomodada, arrumei os lençóis, abri a porta da varanda, tentei dormir, mas era impossível. Deus, minha cama é muito grande, e não tem ninguém aqui para ocupar tanto espaço, o que fica espalhado são pedaços de passado e expectativas de futuro. Só um lado da cama acorda desfeito, e não o meu, porque tenho deitado imóvel: são minhas mãos sonolentas e esperançosas buscando algum vestígio, agarrando-se ao que não há. Deus, só diminua a minha cama para que nenhuma lembrança vá querer dormir comigo. E só quando der ou se puder, alguém para dormir e caminhar junto.
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(Cáh Morandi)

4 comentários:

Anônimo disse...

engolindo as lágrimas...
perfeita!...

Lella disse...

enquanto existir fé a cama não precisa ser pequena...
xeru cah! ^^

lebre de março disse...

oh, tempo dificil o do sono em solidão, de fato...as horas que se pensa vazias..
ainda assim, se diz que no silêncio se encontram as essências da divagação...
oh bem, dificil saber, mas de fato nestes momentos até as próprias palavras são companhia, suublime a energia das artes...
desculpe o comentário sem aviso, espero que não incomode.
boa sorte em sua escrita.

Mari disse...

Cah... parabéns, como pode vc descrever com tamanha veracidade o que vai aqui por dentro de mim também!
Sua escrita é simplesmente... deliciosa!
Beijos
Mari

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