28 de novembro de 2007

Parte do Ser



O bater das ondas
Seguiam o ritmo do coração,

O que é o oceano,
Se não um pedaço de céu
Que despencou na terra?
Ou o que é céu,
Se não um pedaço do oceano
Que ficou lá em cima na maré cheia?

E isso era a resposta
Do seu porque
Haviam estrelas do céu e do mar

No fundo,
Quem pertenceu a quem?

Você, o mar, o céu, e eu...


[ Cáh Morandi ]

Es(colhas)




Esperar alguém
É uma escolha digna,
Ardorosa e sufocante,
Mas é uma boa escolha.
Sorte tem aqueles
Que apenas seguem
Nesse ritmo da vida
E que nada esperam,
E ainda tudo encontram.
Por experiência própria,
Me parece que quanto mais
Se busca pelo amor,
Mais ele nos foge.
E num segundo quando se senta
Para o descanso,
Ele chega e te sorri
Como se sempre
Viesse ao seu encontro...



[ Cáh Morandi ]

26 de novembro de 2007

Encontrar-(se)



Os homens... sempre variáveis
Aos sentidos do seu coração.
Um copo meio vazio, meio cheio,
É o bastante onde se afogar.
Casos sempre mal resolvidos,
Sonhos eternamente esquecidos.
O homem só se pode dizer homem
Por completo e por inteiro
Quando de verdade ele se encontra...
E a resposta que provém dessa certeza
É quando por fim ele encontra
Um amor que consegue mudá-lo,
E pelo qual ele se sente capaz
De matar ou morrer...
Esse único amor
Também que é capaz de o salvar.


[ Cáh Morandi ]

22 de novembro de 2007

Das tuas cartas


Não me escreva estas tuas cartas grandes
Com páginas e páginas de vazio...
Nosso amor é forte e vivo,
Maior que a distância
E mais veloz que o vento;
Nosso amor não tem momento
Porque em tudo, ele é um todo,
O tempo todo em movimento...
Devo te contar um segredo
Que tive medo, até então,
De te confessar:
Das tuas cartas tudo que me treme,
Que me encanta, que me aflora,
Que desmorona tudo que é meu,
São as últimas quatro palavras...
“ Do sempre, sempre, teu...”


[ Cáh Morandi ]

21 de novembro de 2007

Sobre minha poesia


Que nada seja lembrado de mim
Se não essas rasas palavras
Que me rasgaram a alma
Tantas vezes e tantas noites
Me deixaram acordada
Por uma única vírgula
Para finalizar um poema

Que meu tamanho não
Sejam esses poucos palmos
Me meçam de salto alto
E de braços erguidos
Porque alcancei o céu
Quando tive por perto
A capacidade do amor

Que meus sentimentos
Sejam bem digitados
Em algum livro futuro
Fielmente me retratando
Nas emoções, nas sensações,
Para que eu esteja viva ali,
Com minha voz declamando

Que o amor que eu acredito
Tenha sido mais capaz
Do que eu mesma pensei,
Que ele tenha resistido
Na carne, no espírito,
Permanecido bonito
Como um dia eu sonhei


[ Cáh Morandi ]

20 de novembro de 2007

Meu


“Mais leve que o ar, tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...”
(Caetano Veloso)


A maneira que teus olhos ardiam
Quando olhavam para o sol,
Como caminhavas pela terra
Como se pisasse nas nuvens do céu,
A delicadeza de tuas suaves mãos
Brincando entre meus cabelos,
Tuas palavras sussurradas
Com calma, antes de dormir,
O movimento lento do teu corpo
Na hora de fazermos amor;
Isso tudo, que é só teu,
(Que foi meu por algum tempo)
Ficaram na memória remoendo
Ardendo nas lembranças de meu peito;
Histórias que são somente nossas
Que jamais deixarei partir
Porque estão em tudo que é meu
E não haverá qualquer adeus
Capaz de as levar...


[ Cáh Morandi ]

19 de novembro de 2007

Mãos dadas




Meu amor, une meu coração ao teu
Quando chegar a próxima madrugada,
Mas de manhã não os separe
Deixe-os assim, perto um do outro,
Para que quando sairmos pelas ruas
Não sejam somente nossas mãos entrelaçadas,
Serão nossos corpos, nossas almas,
Selando o destino no áspero das nossas palmas.



[ Cáh Morandi ]

Mas se um sorriso...


Você pegou as malas
Abrindo as portas
Partindo sem me ouvir,
É certo, foi o certo,
Foi o que deverias fazer,
Mas se te importa
Saber o que eu dizia
Deixo nessas memórias
Escrita em forma de poesia

Que tudo que eu quero
É te ver feliz e contente
Mesmo ao lado de um outro alguém;
E eu posso te amar de longe,
Observar teus movimentos doces;
Ficar na tua espera em alguma esquina
Para te encontrar sem querer,
Mas se um sorriso tiver em teu rosto
Eu fico bem,
Está tudo bem, meu bem;


[ Cáh Morandi ]

18 de novembro de 2007

Depois que você partiu




Eu espero que você me perdoe
Pelas tantas vezes que eu disse
Que te amo de forma vazia;
Por essas tantas e outras mentiras
Que fiz você acreditar;
Pelas noites em que você me desejou
E eu me entreguei, seca, fria;
Sem nunca pedir para você parar
E te entregar a verdade merecida;
Por eu falhar nas poesias
Que sem rima, que sem cor,
Ao ler, você sorria;
Me perdoe por eu não ter sido
Tudo aquilo que você sonhava;
Pelas madrugadas que te abandonei
Sem nenhum bom motivo;
É certo, é lógico,
Eu ter te perdido,
Mas dói, fere,
Descobrir que me fazes falta
Quando já tinhas partido.



- Cáh Morandi -

17 de novembro de 2007

Meu lugar


Eu preciso encontrar um lugar para estar em paz,
(Em paz comigo e com todos)
Um lugar para o meu mundo de realidade e de sonhos;
O meu lugar no mundo de todo mundo;
Um mundo que seja o meu lugar.



[ Cáh Morandi ]

15 de novembro de 2007

Atrasou!



E quando eu estiver nua do tempo
E dos meus compromissos alheios,
Da hora marcada para levantar,
Dormir, jantar e tomar café;
O dia que eu não me preocupar
Com a casa desarrumada,
Perder uma hora no aeroporto,
Sair sem pressa de voltar;
Eu sei que será tarde,
Tarde demais para o amor chegar.

O tempo todo eu controlei o tempo,
E acabei por fazer o amor se atrasar.


- Cáh Morandi -

13 de novembro de 2007

Hora sagrada


Quando chegar o alto da noite
E eu querer descansar meu corpo moído
Pelo cansaço do dia,
Vou encontrar teus braços abertos
Repletos de sossego e saudade,
Vou me deitar sobre o zelo
Dos teus olhos amorosos,
Me unir contra teu corpo
Cheirando a banho recém tomado,
Ficar na ofegante espera
De teus beijos no meu pescoço,
Teus dedos entre meus cabelos,
Tuas pernas entrelaçarem entre as minhas...
Não há melhor lugar para sonhar
(mesmo quando deixo os olhos abertos)
Porque tudo que espero no dia
É chegar essa hora...
E é pouca qualquer demora,
Onde o infinito é tão pequeno.


- Cáh Morandi -

12 de novembro de 2007

Série: Poemetos



Daí, você ficou ali,
Naquele fim de tarde
Sustentando o peso do céu,
Detendo com os pés a terra,
Fazendo o sol se pôr
Na paz de tua face.
[ Cáh Morandi ]

Se me soubesses



No meu corpo
Na minha mente
No fundo de meus olhos
Ficou ainda tanto
De mim
Que deixaste de conhecer;

Coisas que irão se perder
Para todo o sempre;
Coisas que jamais...
Jamais voltarás a ver;

Não era amor
( não era!)
Se fosse então
Me saberias inteira,
Saberias a hora certa
De chegar e partir;

(Mas ficou muito,
Por descobrir)


- Cáh Morandi -

10 de novembro de 2007

Dentro do poema


Devo te escrever com calma
E com firmeza nessa hora
Porque te escrevo para dizer
Que no mundo deves ser
O homem mais amado


Cada letra tem o significado
De escrever de meu amor;
Ter o dom capaz e portador
Do grande mistério carregado
Dentro de nosso próprio peito


(coração)(CORAÇÃO)(coração)

(Você é meu coração)


Quem mais, em pleno
Ano de 2007
Se apaixonaria
Por uma menina
(mulher, eu diria)
Que escreve poesia
Para declarar seu amor?


Ah, meu querido,
Que estupendo delírio
É amar-te entre versos
Há encontros diversos
E te encontrei num poema

E pela primeira vez na vida
O amor teve rima,
Teve cor, teve nexo.


[ Cáh Morandi ]


9 de novembro de 2007





O ar que enche meu pulmão
Se mistura com o amor
No vai e vem de minha respiração
*
Transação de mundos
Nos seus tons de sol [...]

Cáh Morandi

Minha casa




Dia desses
Vais chegar à minha casa
E descobrir quem sou
Além dessas palavras,
Das coisas que sinto,
Do que vejo e escrevo...
Vais perceber
Que ando descalço
Com cabelos alvoroçados
Sem maquiagem no café
Vais rir quando ver
Eu me vestir para dormir
Como sento para jantar
Meu jeito, maroto, de amar,
Tem vidas que te espero
Debruçada na janela
Ouvindo o som do mar.
Meu lar será teu lar
Pelo tempo que durar
O teu encanto.


- Cáh Morandi -

Mudanças (des)necessárias



Eu durmo lembrando dos beijos,
De todos os beijos que não mais provarei,
Daquele abraço (tão apertado)
Que não mais receberei pela manhã,
Do amor no meio da madrugada
Que nunca (nunca mais) contigo farei,
Eu durmo remoendo tua falta,
Ouvindo tua voz cantar ao meu ouvido,
Acreditando que seria possível
Eu me unir ao teu destino


De súbito eu me deparo
Aos altos muros que a paixão
Tem me cercado por precaução;
Fico presa com meus instintos,
Meus desejos famintos,
Minha fome de cão;
Eu tomo minha dose diária
De recordações e fotografias
Dia e noite, noite e dia,
Fio por fio das horas cortantes


Meu amor, prometo te esquecer
Quando chegar o primeiro dia de outono,
(Contando mil séculos daqui para frente)
Livrar-me de teus dedos pela casa,
Despir-me de tua blusa amassada,
Prometo não te amar quando te olho,
Nem por um instante te desejar comigo,
Farei novas compras num domingo
Daqueles curtos e provocantes vestidos
Que nunca usei para te preocupar,
Novas maquiagens e saltos altos,
Pisar fundo nas curvas do asfalto,
Eu prometo ser mais intensa
Quando a vida for amena,
Vou ser outra sem você.


- Cáh Morandi -

8 de novembro de 2007

Série: Poemetos



Um ponto de interrogação enorme
Ficou pulsando no livro de memórias
Justo na parte de minha história
Onde eu encontrava o amor.


[ Cáh Morandi ]

Dos amores que se bastam




Eu quero acreditar na possibilidade
Dos amores não efêmeros
[ Não passageiros ]
Invariáveis a previsão do tempo
E a pegajosa rotina diária.
Amores com raízes,
Firmes, fortes, profundas.
Amores capazes,
Auto-suficientes.
Amores que bastam
Somente pelo amor.



- Cáh Morandi -

[beijo]

7 de novembro de 2007

You, time of the world


(Para Andrew)

O bater das asas de uma borboleta
Fazem com que o mundo gire,
Vinte quatro horas, volta completa,
Dançarino azul na escura imensidão
De constelação de astros e estrelas no infinito,
Mas, por vezes, esse seu sorriso
Prende o tempo numa redoma de
Puro encantamento e beleza


(Borboletas descansam
E pousam nos grãos de areia)


O mundo pára por um único segundo
Enquanto você sorri, e eu me pergunto:
- Que mistério pode ser tão profundo?
Mais do que o mais fundo do mar!
- Que mistério pode ser tão impossível de tocar?
Mais do que as nuvens no céu das nuvens!


Que segredo há por trás dos seus lábios
Capaz de cometer esse absurdo
[parar o mundo!]
Só porque você sorri!


- Cáh Morandi –

As palavras certas


Quando não me escutas,
Outra poesia muda
Cega e deserta
Fica vagando
Em meu pensamento
Procurando o verbo
Certo, com nexo,
Para voltar a te falar,
Mas sempre encontro
A forma exata
Demasiadamente tarde,
E tu já dormes
Sereno entre lençóis,
E fico contando
As paredes sem cor
De todo esse amor
Que juro ser teu.


- Cáh Morandi –

O sopro


Em meus sonhos
Perduram meus desejos
E o gosto derradeiro
Da fruta pega
Ao pé de sua árvore...
Minha infância,
De pequenas alegrias
Deixaram marca viva
Pena foi esse
Meu sopro nos cata-ventos
Que fizeram o meu tempo
(Em redemoinhos
De sentimentos)
Passar...

- Cáh Morandi –

O abraço perto do fim



Abraçou-me. Apertou-me firme contra seu peito. Sua respiração fazia meus cabelos balançarem contra o vento. Palavras mudas ao meu ouvido. Ficou ali por um bom tempo, e eu também fui ficando. Entendendo aquele abraço, o traduzindo de alguma forma que eu pudesse compreender seu ato. Seu primeiro ato próximo do amor nunca revelado. Seus braços tão largos, pareciam apertados para abraçar meu corpo. Depois, como se fosse tudo que queria ter feito, soltou-me. Pegou minhas mãos, levou até seus lábios e isso era um pedido para que eu ficasse, para que eu o amasse. Ah, meu eterno amor, porque foi tão tarde? Porque nessa hora em que nada mais restou?


- Cáh Morandi -

6 de novembro de 2007

Para descansar meus sonhos


Eu repouso em teu peito
Espalho meus cabelos negros
Até as curvas de tua barriga
Fico em silêncio,
Teu coração batendo,
A forma que sugas o ar,
É o falar dos meus anseios;
Eu deito aqui
Porque não sinto medo
E calo, e me entendes
Como se fosse tudo dito
De forma que está tudo escrito
Nos meus olhos pequenos;
Teus dedos, meu amado,
Afagam meus pensamentos,
Desenham meus lábios trêmulos,
Param, me adormecem,
Quando descansam entre meus seios;

- Cáh Morandi –

Contando dias

[Foto de Alejandro Lopez]

Trinta dias demoram o milênio inteiro para passar
Renovam-se todas as luas, suas inúmeras faces,
Se eternizam nesse tempo que quer durar
De forma que estrelas brilham menos
O infinito, escuro, fica tão pequeno
Para tantas luzes no céu a naufragar,
Mas quando vier dezembro,
(O quinto dia do amor chegar)
Então tudo fica tão pequeno
O céu, se arruma, sereno,
Deixando o sol raiar para clarear as praias do sul...
É onde Mariscal mora,
(onde eu quero morar)
Estrelas do mar brotam entre as areias,
Cinco pontas, nove dias,
Para o amor habitar.
E quando forem quatorze, todas as juras,
Hão de se prender ao peito
Levando sal e a maresia
Que a nos, se unia,
Nos fim de tarde, sentados,
A escrever poesia...


- Cáh Morandi -

Em tempo do amor


Que o amor tenha pressa
E não perca tempo entre
As tantas curvas do caminho;
Que ele tenha passos largos
Vontade de chegar em casa
Antes do sol se pôr;
Que o amor não me entristeça
Nem tão pouco desapareça
Sem bater na minha porta;
Que ele seja puro, sagrado,
Molhado dos grandes desejos
Do teu corpo quente, suado.


- Cáh Morandi -

Presente de mãe


Sem volta
(para minha filha Cáh Morandi)


Vem Cáh...
Com tua luz de todas manhãs
Com tua doce meninice hortelã
Com teu cheiro de lírio branco
Com teus versos que é puro encanto
Vem Cáh...
Com teus olhinhos que brilham cor
Com tua face roseada de flor
Com tuas palavras que tocam a alma
Menina-mulher que poesia exala
Vem Cáh...
Estrela que em meu destino surgiu
Com o vento do amor que nos uniu
Com teu fascinante sorriso
Pois dizer-te é preciso:
Eu te amo!

~Cris Poesia~

3 de novembro de 2007

In the rhythm of the words



Em seus sonhos, cada noite,
Eu danço tão graciosa como uma bailarina
Leve pluma, giros, estrelas no ar,
As mãos suaves desenhando pérolas
E meus pés vestidos de asas
Que ficam no tempo a flutuar
Fico entre passos e deslizes
Ao compasso que tua voz
Canta em minha imaginação


(Como se veste um lírio
De sapatilhas de pano?)



Então, meu corpo
Acorda cansado de manhã,
Mas ri á toa em ver
Que faz você sorrir
Enquanto dorme



Ritmos, movimentos,
Danças, véus,
Mãos, corpo,
Cintura, incensos,
Perfumes, suores,
Invadem no íntimo
De teus secretos pensamentos
Eu danço, meu amor,
Na retina clara de teus olhos,
Sou tua mulher, menina,
Aprendiz de bailarina,
Fazendo uma canção
No ritmo abrangente
De cada palavra.


[ Cáh Morandi ]

2 de novembro de 2007

When the distance persists


(Para Andrew em sua ausência)


1.


Não importa a quantidade de quilômetros
Que separam o amor em dois corações
Há uma linha invisível que se estende
Por todos os cantos do mundo
Ligando almas a almas
Amores a amores
Sonhos a sonhos

É preciso ignorar o tempo
Se o que se deseja comporta
Aquilo que chamam de eterno
Ventos de todas as direções
Letras de todos os idiomas
Músicas de todos os ritmos
Flores de todas as estações
Esperam para brindarem juntas
Por um amor a se cumprir

2.

Você caminha até a janela, no último andar do hotel
- (Pessoas fazem amor no quarto ao lado) –
Em Las Vegas, as muitas placas luminosas
Confundem a cor da lua, na noite tão clara,
Tudo que você tem são seus papéis
E minha imagem em teu pensamento...
È mais fácil de me sentir em New York
Quando o sol acorda e chama teu nome
E meu corpo surge quando você
Abre as cortinas pela manhã...
Meu amor,
Em qualquer lugar que andar
Eu estarei, então, te esperando
Para dizer os meus segredos
Enquanto descansas numa cama estranha
Ou mesmo, para quando buscar uma estrela
E encontrar meus olhos, flutuando,
Castanhos no azul do céu.


- Cáh Morandi -

Fragmento de uma entrevista



Não sei porque lembrei disso hoje, mas resolvi registrar: outro dia me perguntaram em uma entrevista em qual parte do dia mais me inspirava para escrever. Respondi que era pela manhã, logo assim que acordo, porque ainda estou perto dos sonhos.

[ Cáh Morandi ]

Jogada ao Vento XIII


Os muitos tons que brindavam
O fim dessa tarde chuvosa
Descoloriam o pequeno
Raio do sol que surgia.
As gotas do céu
Desenhavam a areia,
O ritmo descompassado
Das asas de uma borboleta
Faziam que o mundo girasse...
Eu, presa na paisagem,
Mantinha o corpo firme
No embalo dos movimentos
E uma lágrima tímida
Nascia perto do meu sorriso...
Essa imagem que levo
É um quadro que desejo
No meu melhor lugar
Tudo agia como o amor estranho,
Do qual se conhece a face e a alma.

- Cáh Morandi -

1 de novembro de 2007

O mundo através de você




Eu sempre olho o mundo através de você
É por isso que devo vê-lo de uma forma bonita.
Tem dias que uma multidão toda grita,
Mas seria fácil reconhecer sua voz dentre todas elas.

Eu sempre olho o mundo através de você
Não há dias nebulosos e nem chuva inesperada.
Desculpe se você tem sido meus olhos,
Mas só assim pude embelezar a tristeza e descobrir a poesia.

Eu sempre olho o mundo através de você
Desde aquele dia que um anjo traduziu o bater de meu coração.
Ao menos lá fora é uma tela ainda com tinta fresca
Cheirando a lírios recém colhidos em boa época.

Eu sempre olho o mundo através de você
Porque bem mais que a visão, me permites os sentidos todos.
Enquanto permaneces sentado nesse banco dourado de primavera
A realidade parece um sonho que posso tocar acordada.


[ Cáh Morandi ]


* Às vezes, me pego relendo as preciosidades,
essas quais me dizem tanto!

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