29 de junho de 2007

Um dia de Julho


Fico tão presa em meus pensamentos
Que às vezes me pareço com a mobília dessa sala
Termino o ultimo gole de café amargo
E afundo-me mais um pouco nessa poltrona.
Tudo em ordem, cada papel em seu lugar
Meu sapato de salto alto é o único atirado perto da mesa
Releio todos os nomes dos livros que estão na estante
E me prendo a cada detalhe do quadro pendurado na parede
Eu cruzo minhas pernas, ajeito meus óculos,
Mas uma vez a cortina me impede de ver o movimento lá fora
Eu teria uma vida de paz e descanso em dias como esses
Até ficaria alegre de chegar cansada depois do trabalho,
Mas em tudo que tenho feito, cada lugar que tenho ido,
Ou mesmo nesse cômodo agora, há um espaço para tua ausência
Eu já devia ter me acostumado com o quarto organizado
E saber que ninguém vai reclamar se eu ficar horas na janela.
Não sei se eu escrevo para não aparecer na porta de tua nova casa,
Ou para contar quantas vezes no dia eu morro de saudades.

( Cáh Morandi )

28 de junho de 2007

Meu poeta que não escreve



Disse-me meu poeta que não escreve:
Tem gosto de paz o amor feito contigo
O teu desenho é de uma deusa posta sobre meu corpo,
Fazes sonhar e agora és tão palpável e humana
Parecendo uma menina querendo adormecer em meus braços
Distante da mulher que há pouco desfez o lençol de minha cama.
Tuas palavras me emudecem quando leio,
Mas te ter é quase impossível não confundir com poesia.
Tão velho eu, tão longe de você minha pequena
Procurando quem me torno quando estou ai dentro de ti.
Eu vou ter vontade de te segurar antes de embarcar naquele vôo
E não sei se é certo deixar-te ali levando tudo teu em mim.

(...)
Não deixou eu falar nada. Beijou-me a testa. Abraçou-me e dormiu.

( Cáh Morandi )

As suinãs - Miro Martins e Cáh Morandi



As suinãs estão florindo avermelhando
Essa tarde de final de outono e eu...
Sinto ânsias que me confundem
Pois ainda não aprendi as conter.
Tenho ímpetos precisosque não consigo deter.
Uma pressa indomávelem fazer e desfazer.
Desejos, que na verdade,
Deveria perder a tarde para rever.
Eles vêm sei lá de onde
E no fundo, não quero nem saber.
Imagino saber fórmulas, mas na verdade
Até hoje não consegui aprender.
Tento colocar as coisas em lugares
Onde sei que não irão caber.
Escrevo poemas apaixonados
Pra quem talvez nunca venha os ler.
Crio expectativas sobre o que nem sei se poderei viver...

As suinãs devem saber que não é primavera
Mas vai ver não precisa dela para aflorar...
Tem horas que as estações me confundem
Parece ser verão, mas pela janela vejo nevar.
Meu instinto tem vontades tão vorazes
Que se eu não tivesse calma, não saberia controlar.
Minhas vontades são tão pecadoras
Que não tem desculpa inocente para inventar.
Precisaria de pouca coisa para me satisfazer
Um dia de sol, mãos dadas, e uma grama verde para caminhar.
Eu só queria que alguém entendesse
Que além do corpo, a alma vem em primeiro lugar.
Eu imagino o céu azul como era na minha infância
Pena que não tenho mais a mesma vontade de voar.
Já pensou se a gente pudesse qualquer coisa, a qualquer hora
E se mais do que a nossa casa, poderíamos em qualquer lugar?
Sou uma poetisa que escreve das coisas nobres,
E tem vezes que sou tão pobre que nem sei nem rimar.
Saiba que também imagino ter uma boa companhia
Mas terei que esperar o dia que tarda... para me apaixonar.

Miro Martins e Cáh Morandi

Nosso tempo




Antes de pensar
Veja meu rosto.
Antes de partir
Sente meu gosto.
Antes de trabalhar
Ame meu corpo.
Antes de acordar
Se despeça no sonho.

Se um dia eu me perder
Deixe que eu me encontre no mapa
Que desenhei em tuas costas
Quase no fim da madrugada.
Se um dia eu me perder
Não deixe de lembrar das coisas nossas,
Nos livros de Bach, nas tardes de bossa,
Dos dias de silêncio, do nosso amor em prosa.

Depois do cansaço
Descanse do meu lado.
Depois do medo
Lembre que sou teu porto.
Depois do desejo
Sele o amor em teu peito.
Depois do tempo
Vem comigo para onde eu for...


( Cáh Morandi )

26 de junho de 2007

O mundo através de você



Eu sempre olho o mundo através de você
É por isso que devo vê-lo de uma forma bonita.
Tem dias que uma multidão toda grita,
Mas seria fácil reconhecer sua voz dentre todas elas.

Eu sempre olho o mundo através de você
Não há dias nebulosos e nem chuva inesperada.
Desculpe se você tem sido meus olhos,
Mas só assim pude embelezar a tristeza e descobrir a poesia.

Eu sempre olho o mundo através de você
Desde aquele dia que um anjo traduziu o bater de meu coração.
Ao menos lá fora é uma tela ainda com tinta fresca
Cheirando a lírios recém colhidos em boa época.

Eu sempre olho o mundo através de você
Porque bem mais que a visão, me permites os sentidos todos.
Enquanto permaneces sentado nesse banco dourado de primavera
A realidade parece um sonho que posso tocar acordada.

( Cáh Morandi )

Vestígio de Memória


Tudo que lembro já caberia no tempo que demora
Uma folha desprender-se da árvore e cair no chão.
Vês como eu mesma me engano, imaginando,
Pensando que nosso amor era de todo tamanho.
O homem que vejo estar em teu lugar agora
Não é o mesmo com quem um dia eu sonhei.
Garanto que teus lábios já não tem o gosto doce
E que teu caminhar perdeu a direção de outra hora.
Sinto que não te amo mais, talvez não tanto como aquele dia
Que me desses a mão para caminhar no Ibirapuera.
Não te amo tanto, talvez não da forma tão sincera como falei
Naquele café da manhã deliciado a capuccino e pão de queijo.
Me perdoe se meu amor já não é mais como antes,
Mas é que tu também já não és o homem que amei.
Aquele que me fazia rir contando uma piada sem graça,
Ou que me encantaria dividir a banheira no banho.
Eu não sei se foi você que foi pro lado errado,
Ou fui eu quem ficou no mesmo lugar te esperando.
Não vou falar mais nisso, tua lembrança em mim está se apagando
Mal lembro teu toque, pouco escuto a nossa música.
Como é engraçado, dois humanos que eram tão apaixonados
Pegarem caminhos separados, perderem seu próprio chão.

( Cáh Morandi )

25 de junho de 2007

Um pedido para ficar

Desfez meu corpo seguro
Com o vento da sua boca
Soprado em minha nuca.
Mais do que ninguém na vida
Conheces todo o meu contorno
Parecem sido feitos por tuas mãos.
Fizeste dos dias que passei
Caminho repleto de diamantes
És amado, meu amante, de meus versos.
Agora sei que há dias largos
Em que sol não se põe no tão longe
Mas descansa dentro de nós.
Sabes aquele fio aquarela no horizonte?
Quando não estás por perto é lá que moro
Porque foi onde me puseste certa manhã.
Guardes bem a chave que sela teu coração
Eu já pulei a janela que atravessa tua alma
Se pedes e posso: agora quero ficar aqui.

( Cáh Morandi )

22 de junho de 2007

Das insignificâncias da vida



Bastava o perfume que os cabelos deixavam nos travesseiros
E aquele beijo trocado em plena tarde de uma segunda feira agitada.
Bastava aquela conversa sobre um assunto sem nexo no café da manhã
E as gargalhadas do ser amado vendo TV em plena madrugada.
Bastava estar abraçados e ainda deitados num dia preguiçoso
E implicarem antes de um passeio por causa de uma saia minúscula.
Bastava mesmo que fosse uma briguinha antes de começar o dia
E você ficar pensando o dia todo em alguma forma de reconciliação.
Bastava que ele chegasse, mesmo esquecendo das compras da semana
E que ela te perguntasse a cada minuto se você a amava.

(...)
São essas pequenas horas que se descobre ter sido feliz,
Mas isso é coisa que demora uma vida toda para se perceber.

( Cáh Morandi )

Em tempo



Eu não devia perguntar, mas...
Pensas também naquela tarde?
Não, não diga nada!
Eu sei que pensas...

Eu não devia responder, mas...
Já não penso com tanta vontade.
Não, não direi nada!
Tu sabes da verdade...

Eu não devia nos castigar, mas...
Que sentido tem o amor que não é nosso?
Não, não falaremos de novo!
Nós sabemos da dor que têm as dúvidas...


( Cáh Morandi )

21 de junho de 2007

Versinho


Banho recém tomado
Eu ainda com o ser molhado
E os cabelos cacheados
Exalavam o cheiro da flor do maracujá.
Espalhei pelo corpo o óleo castanhado
No espelho refletia meu contorno gracejado
Hoje eu cometeria um pecado
Estás em tempo de chegar ?


( Cáh )

Se fosse uma escolha

Eu poderia ter gostado de um homem da minha idade, alto, moreno e olhos claros, que mora quase do meu lado e que me trata muito bem. Ou poderia ser aquele cara que me ama, que diz que sou uma princesa, que lê todas as minhas poesias e que me levaria a qualquer lugar do mundo... Mas vai saber porque o coração da gente não obedece, que é justamente quem não deve que ele decide gostar. É logo por quem não te ama (nem nunca vai te amar), que nem te olha, que te ignora e que mora longe... A gente vive amando a pessoa errada, na hora mais errada ainda, mas não quer desistir de acreditar de que poderia ter dado certo... Dizem que sou louca por amar alguém assim tão oposto de mim, não é porque quero, mas vai dizer isso ao meu coração! Vai me pedir para esquecer aqueles beijos todos, do contorno de seu rosto, das poesias que ele me fazia escrever pela manhã. Como esquecer aquele peito onde eu deitava, daqueles braços em que eu me esquentava... da face, do gosto, do perfume, do desenho do corpo do homem que eu amei.

( Cáh Morandi )

20 de junho de 2007

Das coisas que me prendem


Pelo menos eu sei o que é ter um coração apertado
Que quase nem respira por carregar tantos sentimentos.
Posso não saber das novidades do novo mundo
Ou de qualquer novo escândalo que está sendo comentado.
Não saber se chove lá em alguma cidade do oriente
Ou se aqui na minha casa está chegando um tufão.
Há coisas que não me prendem ao pensamento
E que posso saber sem tem porque me preocupar.
Me importa saber se teus olhos estão com céus claros
Ou se preciso te levar um guarda-chuva se chover.
Me preocupa se a estrada que andas não esteja esburacada
E se a paisagem vai ser uma pintura se quiseres sentar na sacada.
Não quero que repouses sobre as partículas do relento
Posso virar suave vento para te aconchegar.
Há coisas que prendem meu pensamento,
E que quero saber, porque preciso me preocupar.
Não sei em quanto fechou a bolsa de valores
Até porque meu tesouro está depositado em outro lugar.
Inútil me perguntar da minha conta do banco
Penso que há coisas bem mais valiosas para mim cuidar.
Há coisas que passam a toda hora em meu pensamento
Já bem sei o que sinto, não devo mais me preocupar.

( Cáh Morandi )

Chiii!



Ninguém precisa saber o que fizemos
Ou o porque das nossas roupas amarrotadas.
Deixe que pensem o que quiserem,
Que sintam inveja de ousarmos corrompido o certo,
E que julguem ser errado esse paganismo divino.
Que sejamos loucos a toda hora,
E que me penetres mais fundo que a raiz na terra
E me entres porta a dentro sem pressa de sair.
Depois da madrugada, o sol rompia o dia,
Meus cabelos alvoroçados e com o cheiro da manhã,
Teus lábios carregados com o gosto do romã.
Eu cansando a voz de tanto dizer baixinho:
- Me ama, me ama, me ama...
(Cáh Morandi )

18 de junho de 2007

Por falar...


Vês o vento que atravessa a janela do nosso quarto?
Esse espaço alugado para o nosso encontro marcado
É tão estático e frio e foi igual a ele que tornaste,
Tu não me vês mais, da mesma forma que o vento na janela,
Vou embora agora, eu não tenho mais tanto tempo
Para que esperar você voltar ser o homem que eu amei,
... Sinto falta do amor meu, do príncipe, que tu eras.

Um pedaço de nostalgia


  • Cada pessoa pertence a um tempo,
    A um beijo, a um desejo...a uma outra.
    Tudo que somos está preso a aquele instante,
    E isso nos guiará em qualquer destino que sigamos.
    Meu momento é a própria estrada pela qual sigo,
    Pois eu sou toda, a todo tempo, em todo lugar
    A minha loucura, meu devaneio, meu instinto selvagem,
    Minha vontade febril do impossível tocar.
    Compreendo o porquê dessa dor toda se abrigar em mim,
    Estou presa a inúmeras horas, incontáveis lembranças,
    Aos beijos todos, ao passado inteiro que não esqueci.
    Não há sensação mais confusa do que carrego,
    Porque sou o vendaval, a calmaria, a saudade
    E uma eterna viagem ao encontro da face do amor.
    Estou quase aprendendo a suportar o silêncio,
    Que por vezes grita mais alto do que minha voz.

    ( Cáh Morandi )

17 de junho de 2007

De(composta)


As calças já não se prendem a minha cintura
E as blusas estão maiores que meus ombros;
Estou receosa por estar sumindo repentinamente,
Sem saber se é essa doença ou essa vontade.
Minhas mãos estão brancas e mais finas que de costume,
Minhas costas agora já se desenham sozinhas.
Meu espírito tem se aproximado do divino
E os olhos já mais se voltam para dentro do que para o mundo.
Primeira vez que estou em dúvida:
Não sei se agora estou vivendo ou
Se na verdade é a quase hora de adeus.
Não sinto medo, mas na ansiosa espera...
Algo está chegando e estou em paz!
Só me compadece ver meu corpo sumir
Mas ainda não tão veloz quanto a poesia.
Ah, essas coisas que a gente não sabe
E por vezes nem gostaria de saber.
Mas vai ficar tudo bem...
Deus gosta muito de mim,
Meu anjo acabou de falar.

( Cáh Morandi )
17/06/2007

15 de junho de 2007

Temporal


Se meu amor se perder no meio da chuva
Eu me torno valente tempestade,
Pois se me entristeço e choro
Inundo bem mais do que essas ruas.

Eu vivo cada tempo sem pressa,
O que me interessa é poder viver em paz
E isso só acontece se dentro do meu peito
Não se esmoreça os amores que guardei.

A ventania chega ás vezes pra desfazer meus sonhos
Confundindo meus pensamentos com ilusão,
Mas não me importo se já não tenho segredos
Ou se desvendares o que palpita em meu coração.


( Cáh Morandi )
..

14 de junho de 2007

O poeta que me amou



Ele era um poeta que tinha a voz mais doce que os anjos e que quando cantava me fazia flutuar em pensamentos... eu só lhe fiz uma poesia (ainda), porque para ele eu não consigo achar palavras toda vez que eu tento escrever alguma coisa.
A primeira noite que passamos juntos, envolvida em seu abraço, eu disse depois do beijo:
- Te espero nos sonhos.
De súbito, lembrei que eu dizia isso a um outro homem, do qual nunca me respondia a essa frase, mas esse poeta me surpreendeu ainda mais, respondeu ao meu ouvido:
- Estarei te esperando nos sonhos, mas antes preciso te agradecer por me fazer sonhar mesmo quando estou acordado...

E esse é o homem que lembro quando preciso saber que sou amada.

13 de junho de 2007

Colando estrelas



O que me faria feliz
Era sentar na beira da cobertura do teu prédio
Soltar as pernas e balançá-las ao ar.
Lá em baixo quantos carros em velocidade
E a perder de vistas as luzes das milhares casas.
Depois te olhar como se dissesse tudo que não precisa ser dito,
Prender teus dedos entre os meus e não mais largar.
Talvez tu me oferecerias um sorriso ( porque é tão lindo!)
E eu soltaria meus cabelos pra que te inebriasses do perfume deles.
Juntos voltaríamos nossos rostos para cima
E lá estaria a lua que eu busquei e
As estrelas que uma a uma colei no céu essa noite
E que só tu consegues ver!

Eu passaria a eternidade
Pendurando astros,
Azulando céus,
Porque me encanta quando teus olhos brilham.

( Cáh Morandi )

Poesia ao namorado ausente

É um dia cinza
Porque hoje sei que não vens.
Vai tardar pra que sigam as horas
E as passarei pensando em ti.
Enquanto se entregam os apaixonados
Confundidos entres beijos e abraços
Estarei envolvida na tua lembrança.
Não sou mais teu benzinho,
Tua natureza, tua mulher.
Não sou mais tua amante,
Tua namorada, teu bem querer.
Meus passos vão pelas calçadas
E fica longa qualquer estrada
Se não tenho tua mão para prender.
Sabes tão certo que faz falta,
Que me entristece a alma
Não poder te dizer hoje
O quanto amo você.

( Cáh Morandi )

11 de junho de 2007

Rabisco I

Serginho me questinou sobre o que é o mundo do poeta... logo para mim que desconheço qualquer coisa de exata ou poética nessa vida... respondi...

Rabisco I

O mundo não é do poeta
Na verdade ele busca o fragmento de cada paisagem
Depois as pinta na mente
E transborda nas palavras.

O poeta cria seu próprio espaço
Colorido e enfeitado por suas mãos
Onde vive suas contidas emoções
E enche os olhos de quem se permite ser tocado.


O poeta é quase vida,
É quase o grito ensurdecedor,
O poeta é quase morte,
E o silêncio mais profundo e devastador.
O poeta é quase...
...Quase Deus de seu próprio mundo.


( Cáh Morandi )

Frente ao mar


De frente pro mar que me encontro
Pensando nas inúmeras voltas que dão essas águas
...Dos mares, das praias, dos oceanos...
E nos seus incontáveis caminhos possíveis.
Então lembrei da face de um homem
E dos seus inúmeros destinos.
Me senti inútil diante da imagem que se formou,
Pois é certo que eu não tenha o controle
Do mar ou das coisas que são da natureza,
Mas aquele homem já esteve em minhas mãos
E eu não pude segura-lo aqui.

As ondas quebravam perto da areia,
E a brisa da lembrança agora ondulava
As águas fundas e paradas onde eu naufragava
Cada fragmento do meu coração despedaçado,
Onde tão certo também afogaria o restante de mim.

( Cáh Morandi)

8 de junho de 2007

Pequeno Instante


Te vi passar
Num momento em que nada esperava.
Teus cabelos alvoroçados,
Meus olhos desnorteados.
Ias para o oposto lado
Do qual era meu destino.
Fitei cada traço do teu rosto desenhado
No segundo que nos cruzamos.
Não saberei se me notou
Ou se me viu e pensou
Sentir as mesmas sensações.
Não te encostei,
Mas sei que algum dia te sonhei
E só pude te ver nesse instante.
Te vi passar,
E não tive tempo de te falar
Alguma coisa pra te prender.
Eu olhei pra trás
E já te confundias com a multidão.
Passaste,
E meus lábios murmuram
Pelo teu nome desconhecido:
Volta!

( Cáh Morandi )

6 de junho de 2007

Pro (cura )


Um desvio
Seguro.
Uma luz
Acesa.
Um abrigo
Quente.
Para onde eu corro.
Para onde vou.
Isso se repete.
Isso me apetece.
Eu procuro
A cura
Para tudo isso.
De algo
Sereno.
Que eu não
Tenho.
E que tanto
Preciso.


( Cáh Morandi )

Vagos Pensamentos de Sicília IV


Irás buscar outras mulheres, eu sei que sim, e não nego que sinto por isso, mas tens todo o direito de procurar nelas algo que te lembre a mim. Na tua busca louca e desenfreada em outro corpo (que não o meu ) não acharás a pele macia, o perfume dos lírios que escolhemos juntos, as risadas agudas nas conversas que surgiam enquanto tomávamos algum vinho, os meus lábios carregados do sabor doce do pecado, meus cabelos cacheados para confundi-los com tuas mãos, pesarás sobre elas teu corpo mas não encontrará meus olhos quando buscares algo de infinito e de seguro para derramar todo teu prazer, nem receberás o sorriso ( que só eu sei) que precisas depois do amor feito. Não meu amor, elas não tem a mesma poesia, então não te forces a tentar escutar algo que seja perfeito em teus ouvidos antes de deitar, hesite acreditar que elas irão te acordar com o mesmo calor de meus abraços e te agradecer pelo simples fato de tê-las possuído. Essas coisas são nossas. Todas nossas. E o amor que eu te dei ( puro, limpo, eterno) não acontece de volta. Por isso, não culpe nenhuma mulher por não ter as mesmas curvas do meu corpo ou por não saberem te acompanhar numa dança em plena madrugada. Porque inútil é buscares nelas o que é meu ( o que foi teu), pois elas são apenas disfarces pra te enganares dizendo que me esqueceu. E tu, sempre portador dessa imensa certeza que tens de tudo, mal sabe que mesmo longe, separados, nos evitando, morrerei tua e você ( meu eterno amor ) viverá meu.

( Cáh Morandi )

5 de junho de 2007

Não pense



Só porque sabes que essas poesias são tuas
E que tenho pensado em ti a cada segundo que tenho.
Por favor,
Não pense mais que te amo.

Mesmo eu querendo saber de todos os teus planos
E me imaginando estar neles
Por favor,
Não pense mais que te amo.

Porque sonho contigo toda noite
E passo lembrando as vezes em que me amou
Por favor,
Não pense mais que te amo.

Meu amor,
Por favor,
Não penses mais!
( saiba pra sempre )
Que eu te amo.

( Cáh Morandi )



Tudo que eu sou



Imagem triste refletida nessa água,
Meus olhos alegres e brilhantes cansaram.
Tudo foi naquelas horas que não retornam
E do amor que escorregou pelos meus dedos finos
Permanecendo nos lábios gosto amargo que tem a tua ausência.
Você já se olhou e não reconheceu sua própria imagem alguma vez?
Eu sim, e desconfio que eu realmente nunca tenha me visto
A não ser essa primeira impressão que fica
Desses meus traços mal feitos e descontornados.
Eu tenho as demais coisas sob meu domínio e controle:
Minhas flores, meus ofícios, minha arte,
Meus livros, meus chegados, meus caminhos,
Minha casa, meus vestidos, meus destinos.
E por ser uma pessoa a única coisa que me falta
Tudo que sou é um precipício que não finda,
Uma terra árida que não viu brotar nada
E que não espera mais chuva alguma nesse tempo,
Porque da sua própria secura ela chora.

( Cáh Morandi )

4 de junho de 2007

Despertar em meu coração teima desesperado - Cris e Cáh




Meus olhos confessam o que meu coração teima em aceitar
De tudo que eu sinto e que é tanto eu me nego admitir
Por uma fresta de descuido entrastes em mim, embaçando minha razão
Despertando algo que há tempos dormia e que acordou com tua doce voz.

Entrastes tão de mansinho e agigantastes em fração de segundos no meu mundo
E eu peço a minha alma pra que ela se acalme, mas ela foge de mim
Arrebatou-me com força tamanha, que ao lembrar tua tez suor me percorre
Te vejo e desejo modelar teu corpo calmamente em minhas mãos macias.

Deslizar por tua pele com movimentos leves e dentro de ti permanecer
Penetrar em tua carne, em teus pensamentos e ser teu sonho mais desejado
Nos enlaçarmos entre sorrisos que ecoam em sensações intensas
Me invade esse delírio tão carnal e ao mesmo tempo divino que sinto e confesso.

Arranca-me suspiros de forma oceânica, em mim flutuas arrebatadoramente
Eu em ti mergulharia de forma profunda e habitaria em teu intimo como tesouro guardado.

( Cris Poesia & Cáh Morandi )

3 de junho de 2007

Os Signos Íntimos do Poeta - Febá e Cáh



Por qual caminho segue a alma de um poeta ?
Por questionamentos íntimos da procura da forma
Pelas incertezas do real, pelo concreto sentimento que carrega
Em ser um artista que percebe o mundo com um vasto pensamento
Comportando o universo no peito, e criando novos em sua imaginação
Sentindo um medo, de sentir demais, o que não se sente em calar
Ele morre e surge inúmeras vezes nas palavras, é o próprio encantamento
Dialogando na imensidão da sensação os seus significados envolvidos
Seu destino é de inúmeros caminhos, mas ele não sabe, às vezes, pra onde vai
Ele segue por um caminho que percorre toda a eterna novidade do mundo
Sente demais, e isso creio que dói, porque a sensibilidade é um dom divino nele
Em humanos estímulos, ele retoca os invisíveis subjetivos das razões enaltecidas
Pinta nas poesias as telas desenhadas das cores que brotam no verso profundo
Contorna a magia das palavras conduzindo ao íntimo os seus próprios signos.
O poeta também não sabe pra qual caminho segue, ele só sente, e isso já basta
Sentir é fazer do seu mundo um imenso campo de experimentações interiores
Todo o sentimento poético é um signo querendo encontrar significados
O poeta é aquele que vê o mundo pelas sensações.

( Fernando Febá & Cáh Morandi)

Tá vendo passarinho ?



Tá vendo passarinho ?
Eu também posso voar!
Eu só não canto
Porque minha voz é triste pra cantar.
Mas eu tenho asas,
Foram dadas a minha imaginação!
Alço vôo distantes e longínquos
E tem vezes que eu não gostaria de voltar.
Tá vendo passarinho?
Eu também posso voar!
Não é o mesmo céu que teu
Nem a mesma liberdade que tens
Porque ainda sou pequena de espírito
E não tenho ninho pra descansar.
Mas eu sei agora flutuar no espaço
Eu já amei um astro no ar,
Atravessei cada pedaço do mar.
Ta vendo passarinho ?
Eu também posso voar!
E tu ri e teimas em duvidar
Mas se eu tivesse tempo
( se eu tivesse com o que sonhar )
Levantaria desse lugar que me encontro
E te ensinaria como é mágico
O limite dos céus ultrapassar.

( Cáh Morandi )

Segunda Janela



Abri a janela essa manhã
Como há tempos eu não fazia.
Meu corpo amassado e recém acordado
Da noite longa e fria que passou.
Envolvida por meu próprio abraço
Caminho passo a passo
Em direção ao vento gelado que vinha.
O sol a pino iluminando o céu,
Nenhuma nuvem atrapalhando o azul.
A rua vazia de qualquer vestígio de gente.
O mar calmo, um dia sereno,
As ondas pequenas na areia batendo.
Sinto uma paz infinita
Que penetrava meu peito inquieto.
Dispo-me de qualquer roupa
Porque aquele sentimento
Era tudo que eu precisava vestir.
Nem frio, nem medo
Pela primeira vez nesse outono.
Abri meus braços, recebi a luz
E fui sentindo abrir em mim uma segunda janela
Que rompia a dimensão do corpo e da alma.
E eu fui me entregando, sem relutar.
E só senti paz,
Depois de muito tempo : A PAZ!

( Cáh Morandi )

Jogada ao vento VII


Já faz tanto tempo
Eu pouco lembro,
E o que ficou aqui dentro
Não é mais teu.
Já foi o verão
E acabou toda a ilusão
Que invadia meu coração
Desde que tudo terminou.
É claro que eu penso
Recordo com desejo
E sinto falta algumas vezes
Das inúmeras tardes que me amou.
Deito imaginando
A noite vou atravessando
E acordada fico sonhando
Se você tivesse ficado um pouco mais.

( Cáh Morandi )

Tentativa



Eu que me perdi tantas vezes na curvas de seus braços,
Mergulhei tantas vezes nas águas de seus olhos rasos,
Eu, que de mim nada sei,
Logo eu que nada mais sinto,
Me deram esse destino pra que siga.
( Esse desejo pulsante de relembrar meu passado. )
Pudera eu ficar quieta, quisera que me deixasse em paz.
E quando quase chego, quase alcanço novo caminho,
Tu me estendes de novo tua mão amante e indecisa
Eu não penso, eu me lanço de volta ao inicio.
Me amas, depois me jogas
E eu tento de novo, inútil!
Mais cedo,
Mais tarde,
Assim que me tocares,
Eu perco de volta os sentidos
Te amo, e volto a ser sozinha.

( Cáh Morandi)

1 de junho de 2007

Estendam-me

Assim que vires um dia de sol
Dê-me um varal por favor!
Preciso me estender,
Secar um pouco minha alma.
Pendurem-me pelo ombro
E esqueçam de mim
Por algumas horas.
Vou fechar meus olhos,
Soltar meus braços rentes ao corpo,
Lançar meu cabelo para cobrirem as costas,
E permanecer até que meus lábios percam meu gosto.
Preciso estender-me longamente e
Evitar esses dias que chovem
E que me sobrecarregam por dentro.

( Cáh Morandi )

Poesia fria


Tenho caminhado como se tivesse algum destino
Mas não tenho pra onde ir certo dias,
Nem tenho casa de alguém que me espere chegar.
Não posso ficar parada, sentada vendo a vida passar
Enrolo-me com meu cachecol de lã barata,
Empurro minhas botas tão forradas de algodão
E sigo reto nessa calçada que acompanha o mar.
Pensando em alguma possível rima,
Contando os segundos que passo sem nele pensar.
Céu cinza, mãos escondidas no bolso do casaco.
Bate essa brisa marítima tão fria e incessante
Olhos negros, pele de neve, lábios ainda rosados.
Estou cansando, minhas pernas estão gelando.
Eu olho pra trás e vejo nada.
De um lado é rua.Do outro é mar.
Na frente nada, nada nem ninguém pra me esperar.
Olho pra cima e é longe demais.
Pra baixo nada é seguro pra mim.
Então eu olho pra dentro
Numa esperança divina de algo encontrar.
E só vejo um abismo imenso,
Onde tão só e calmo
Palpita algo estranhamente vago
Do que um dia foi meu coração.


( Cáh Morandi )

Diálogo III



- Tu viu ?
- Quisera não ter visto!
- Mas foi bonito!!!
- Teus olhos que são inocentes.
- Tens razão, teu coração que é frio.
- Isso é só resultado desse dia gelado.
- Devias te chamar inverno.


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Vem viver



Os amores morrem nos sonhos
Por ali eles fogem do que podem ser.
Amor crescido fica frio,
E com tempo distante.
Porque a gente sonha com quem ama?
Porque a gente não ama e depois sonha junto?
Eu só não quero mais viver na fantasia,
Eu não ter que imaginar teus lábios doces,
Ter que buscar tua imagem todo dia.
Eu não quero mais te sonhar,
Não te quero ver morrer aqui, meu amor.
Vem... vem... vem
Vive teus sonhos ao meu lado.
Todo esse amor é um aprendizado
Da vida que não quiseste ver.
Vem... vem.. vem...
Mesmo que seja um pecado,
Mesmo que seja errado
Eu e você.

Vagos pensamentos de Sicília III

Ela pensava nas possibilidades possíveis, mas principalmente nas impossíveis e improváveis. Esperar pelo que todo mundo espera não valia a pena, o bom era estar pronta para o que ela nunca pensava acontecer: um tombo no meio da rua, um mal estar no meio da tarde, uma chuva naquele fim de semana que planejou acampar na praia, uma batida no carro logo no mês em que não tinha dinheiro, um bom vinho de madrugada sentada num banco de uma praça, as reuniões em cima da hora para assuntos decisivos.O certo era que ela imaginava se preparar para tudo, das pequenas a grandes coisas. Detalhadamente. Minuciosamente. Então havia dias que ela mais planejava do que vivia. E quando ela vivia sempre foi dos planos dos dias anteriores. Não havia motivos pra tanta insegurança. Ninguém está pronto pra tudo o tempo todo. Sempre tem algo novo, algo de diferente. Que triste, penso eu, são os dias dos que não aceitam as surpresas, que não evitam surpreender-se e envolver-se com o inesperado. E daí fiquei pensando no domingo a tarde em que ela deve ter sentado e programado o dia em que seria feliz. Ah, mas mal sabe ela que tem coisas que não tem dia, que não tem hora. Que de repente chega agora, e tem nome de amor.
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