27 de maio de 2007

Sobre o céu



Quando a gente olha para o céu e o vê amarelar
Parece que foi um beijo que ele recebe do sol
Pra perder o azul celeste e começar a terminar
Cedendo espaço lá em cima pra noite chegar.

Por tempos o céu foi a distração de minha infância
Hoje ele me parece algo de tão vaga lembrança,
Que vontade me dá de colorir lá em cima
Uma poesia que tivesse rima e brilhasse!

( Cáh Morandi )

Faria


Eu caberia
Na casa vazia
De uma borboleta.
Eu nasceria
Na noite vazia
Sem estrelas.
Eu te daria
Amor todo dia
Sem cessar.
Eu te faria
Uma nova poesia
Pra declamar.
Eu comeria
A comida fria
Pra esperar.
E desconfias
Será que ela suportaria
Só por me amar ?
A poetisa diria
Que não há alegria
Até você chegar.

( Cáh Morandi )

.
.

As horas


Eu direi as horas todas
Que são tolas!
Que são vãs!
Que são bobas!

Eu direi as horas
Para esperarem,
Para pararem
Até meu tempo passar.

( Cáh Morandi )

24 de maio de 2007

Jesus Cristinho



Se Deus quisesse
Escutava minha prece
E viria me salvar.
Mas se Ele não me escuta
Vou bater na sua porta pedindo ajuda
Até me deixar entrar.
Não adianta Jesus Cristinho
É muito só esse caminho
Que me desses para andar.
Podias mandar um anjo
Pra que não eu não precisasse tanto
A toda hora reclamar.
Manda pra minha boa companhia
Que daí eu te juro que só oraria
Quando te escutasse me chamar.

( Cáh Morandi )

Só queria um lugar mais seguro
Do que esse meu coração a deriva.
Um buraquinho na terra
Pra que eu pudesse me esconder.
Uma nova chance
De um amor acontecer.

Uma noite calma pra
Soltar a minha a alma
No vento sem destino
Pra encontrar o caminho
Que leva a você.

Quando dormimos abraçados


Estávamos deitados
Nossos corpos entrelaçados
Para que pudéssemos nos aquecer.
Brincavas com teus pés gelados
Nos meus tão cansados do dia que terminou.
Teu peito em minhas costas grudado
E o silêncio no quarto era tanto
Que tua respiração eu poderia ter escutado.
Rompemos a noite sonhando cada momento passado.
Que maravilha é em teus braços ter descansado
E acordar com teu beijo todas as manhãs.

( Cáh Morandi )

Agradecimento


Espero que aceites essa poesia
Como agradecimento por todos os dias
Em que você me amou.
Por todas às vezes que apertou meu corpo
Contra teu peito e me desejou.
Também por deitar tua cabeça em minhas pernas
E ali ser o lugar onde tantos sonhos sonhou.
Eu te agradeço por todos os segundos vividos,
Pelas vezes em que andamos até o infinito,
E por todos os beijos que ainda o tempo não apagou.
Pelas risadas e tantas boas conversas
E pelas flores que antes da primavera você buscou.
Também tudo que aprendi e por cantar ao meu ouvido.
Eu te perdôo também por ter partido,
E ter feito tudo sem sentido
Desde o dia em que me deixou.

( Cáh Morandi )

Vagos pensamentos de Sicília II

Me incomoda esse frio de outono e principalmente esses cobertores em que me embrulho antes de dormir. Se não fosse o frio e tua ausência, me desvencilhava desses panos todos pra me perder e aquecer entre as curvas de teus braços. Numa noite como essa que passou, onde o vento soprava entre os vãos das janelas entreabertas, desejaria estar contigo nessa cama e sonhar antes mesmo que se fechem nossos olhos, segurar tua mão sempre tão serena entre o espaço quente no centro de meu peito e te falar qualquer coisa de absurdo pra escutar o som de tua risada no quarto escuro. E se pedisses com um beijo, eu te amaria antes de entrelaçar nossas pernas para descansar. Se é certo ou não, isso também não sei, mas não são somente em noites como essas que eu desejo que aqui estivesses.

Sicília*

23 de maio de 2007

Um presente

Eu não te dei só amor!
Te lembra daquela noite de sexta ?
Eu na tua cidade onde não se vê o céu
Tinha nuvens o tempo todo
E as estrelas custavam a aparecer!
A gente de mãos dadas
Avenida movimentada
Enquanto o carro esperava
E de repente olhaste o céu,
Viste a lua e me apertaste:
- Aqui nunca se vê a lua!
A trouxestes para mim ?
- Eu trouxe sim !

A trouxe só para que a visses
Antes de me abraçar pra dormir.
Eu traria a coisa mais linda pra te presentear,
A lua é a mínima coisa que naquela noite eu poderia te dar.

( Cáh Morandi )

Do que preciso


Eu só precisaria de um pouco de inspiração.
E ter menos, bem menos, espaço em meu coração.
Só precisaria olhar mais uma vez em teus olhos
Antes de ter que levantar pra trabalhar.
Pudera eu ser uma vez tua boa lembrança
E não ser um futuro nosso que nunca vai chegar.
Queria ser teu amor pra sempre,
Morrer de contente...
Eu só precisaria ver você chegar.


( Cáh Morandi )

21 de maio de 2007

Teu Riso

Eu fico a espera do teu sorriso,
Que nem percebo o quanto te olho,
Eu fico ali imaginando como ele vai se abrir.
Teu riso tem algo de celeste
Que me domina, que brilha,
Que ilumina o sol no céu.

Cáh Morandi

Tô correndo nessa avenida



Tô correndo nessa avenida
O carro dispara como bala
Eu dirigindo e só pensando,
Escutando tua música preferida.
Tô correndo nessa avenida
Eu passo despercebida nos sinais
E é tanta gente nas calçadas
E só uma dentro de mim.
Tô correndo nessa avenida
E andando com passos lerdos na vida
Mas ouvindo sempre a tua voz falando
Abrindo cada vez mais a ferida.
Tô correndo na avenida
Procurando um lugar pra estacionar
Mas não há vagas disponíveis,
O único espaço vazio
Está em meu coração no seu lugar.

( Cáh Morandi )

Ultrapassar a poesia




Gostaria de transcender essa poesia
Não quero que sejam só palavras meus sentimentos
Quero te ter com qualquer humor, em todos os dias.
Chega de falar do beijo que não tenho,
Do amor de verdade que nunca veio,
Desses sonhos loucos de desejos.
Quero ultrapassar esses versos,
Estar ai contigo nesse inverno,
Aquecer teu corpo com os meus beijos,
E te mostrar que a felicidade está por perto.
Está na hora de parar com essas rimas,
Quero sentir teu ser sobre o meu tanto nessa vida,
Dar-te a mão pra caminhar até dentro de casa,
Dar-te meu coração pra que carregues em teu peito,
Provar que posso te amar de qualquer forma, qualquer jeito!
Paro aqui com esses poemas que te lembro,
Eu fujo das palavras, eu engano meu destino
Eu venço qualquer medo, eu passo qualquer caminho,
Pra que eu viva e deixe de escrever um pouco tudo que eu sinto


( Cáh Morandi )

Chegaste

Chegaste, isso é certo
Palavras serenas que te ouvi falar,
De mansinho, foi abrindo em meu coração
Um novo caminho, estreito, e sinuoso
Para deixar ali o teu encanto.
Chegaste, isso é certo
E outrora meu peito que era fechado
Aos poucos tem sido aberto
Vendo outra chance de algo bom provar.
Chegaste, isso é certo
E despertaste os sonhos que dormiam
Da areia fina da praia, das brancas vestes
E me deste a mão para ver o mar além dos muros
E por ali também te acordei do teu sono profundo.
Chegaste, e isso é certo
Fizeste meu sorriso brotar com doçura e leveza
E uma paz, que há tempos perdida, iluminou meu dia
Trouxeste de novo a alegria, que pensava não iria voltar.
Chegaste, isso é certo
Alimenta-te da poesia que te farei todo dia
E dormes em meu peito,
Onde agora é a casa que podes habitar.
Seremos companhia pra eternidade da vida
Se, de repente, o amor quiser chegar.


( Cáh Morandi )

18 de maio de 2007

Verde teus olhos

( dedicada a Renato Miranda )


Eu vi, sim, eu vi!
A natureza verde em teu olhar.
E se não era a natureza
Ao menos tinha a mesma beleza pra encantar!
Em todo tempo, teu sorriso sereno
Fazendo minha alma se alegrar.
Tens a força divina ao teu lado
Fostes por Deus colocado para que o mundo
Tu pudesses iluminar!
E não há dias cinzas
Que tu não tenha as cores pra pintar!
E não sentimento triste
Que não consegues em alegria transformar!
Verdes estes teus olhos lindos,
Que os teus sonhos menino
Possam mais que o mundo alcançar!
Verdes estes teus olhos lindos,
Leve sempre essa pureza
Por onde andar.

( Cáh Morandi )

O que a gente é






A gente nunca é como quer! No fundo é gente um bocado de tudo que a gente já passou, de tudo que a gente já errou e aprendeu. Vai lá, dizer que não sabes quantos tapas que a vida já te deu!? De quanto a gente andou com calma, e quantos dias o tempo correu! Eu sei que sou hoje as decisões que tive que tomar a muito tempo atrás: entre fazer ou não, entre ir ou ficar, entre ter medo ou arriscar, entre viver ou ficar a sonhar. Também sou os conselhos que ganhei, os dias em que sentei e chorei, os amores que me deixaram... e principalmente os amores que deixei. Meu coração tem muito dos dias de chuva em que me molhei, tem lugares que passei, tem os sonhos que nunca realizei. Por um instante gostaria de ser quem eu realmente gostaria, e acho que todo mundo gostaria de poder ser assim também, mas depois eu vejo que podem achar ser loucura, pois ninguém tem tanta gana de viver tanto! Que ser humano, em sã consciência, viveria tudo que imagina ? É triste, como a grande maioria das verdades. E a verdade que é bonita, parece ser esquisita nesse mundão a fora. Todo mundo anda olhando pro lado, mas vez em quando eu ouso ir olhando pro céu. Catando nuvens. Desenhando figuras. Procurando Deus.

( Cáh Morandi )

Onde possas descansar




Eu te sinto tão cansado,
E vejo que o tempo pra ti tem passado
Rápido e devastador demais.
Por vezes então eu sonho
E me vejo chamando baixinho teu nome
Suplicando que venhas aqui comigo um pouco.
Pois sei amor meu, que esse meu corpo sereno e teu
É um bom lugar para que possas dormir e sonhar.
Devias vir agora, devias esquecer-te da hora
Devias correr do teu frio escritório,
E passar os dias e as noites a me amar.
Em tua agenda rabiscada de compromissos
Parecem ser mais importante que os sorrisos
Que você daria se estivesse comigo.
Tu pensas demais! Ousa sentir um pouco!
Ousa me amar como louco.
Ousa partires desse mundo fechado.
Ousa viver o resto de teus dias ao meu lado.
Deixa eu ser o abraço onde possas se entregar.
Deixa eu ser a mão doce que nunca vai te largar.
Deixa eu ser, meu amado, o lugar onde possas descansar.

( Cáh Morandi )

17 de maio de 2007

O abraço depois do amor



E no fim o abraço
Depois do amor
Para sossegar a alma
Enquanto o corpo ainda palpita.
E tem dias
Que eu resisto aos segundos longos
E penso, e desejo
Te amar tanto
Só pra que depois
Me abraces de novo.
E encostar em teu peito molhado
Meu rosto ainda suado
Depois de ter te pertencido.

( Cáh Morandi )




O vento que veio



O vento bateu nos meus cachos
Tão frio o vento.
Estremeceu meu corpo.
Esfriou meu rosto.
Invadiu meus olhos!
O vento do mar
Essa manhã veio me acordar
Batendo na minha janela.

Cabelos ao ar numa dança com o vento de frente pro mar.
Depois do vento. Um tempo, pra me esquentar.
Depois do tempo, uma eternidade pra lembrar:
Das coisas que não tenho, do amor que não veio
Para ao invés do vento me abraçar.

( Cáh Morandi )

Mesmo não sabendo de Fé


Talvez eu não saiba nada sobre fé,
Absolutamente nada sobre crer no não visto.
Mas eu sinto, e sei, que algo maior existe.
Porque eu penso em ti e há ali algo de divino
E desconfio fielmente que és parte do céu.
É certo que não sei nada sobre fé, certíssimo!
Eu não tenho o coração puro dos anjos,
Nem carrego em mim algo de celeste,
Mas como humana, dotada de alguma certeza
Eu penso que se Deus viesse na terra morar,
Ele estaria aconchegado no teu olhar castanho
Pois pra Ele não seria tão estranho
Trocar o céu para em ti habitar.


( Cáh Morandi )

16 de maio de 2007

Para onde ias ?


Já pegaste quantos aviões ?
Foram também muitas estradas ?
Me conte, me diga,
Pegaste carona também ?
Quantas madrugadas dirigistes pra qualquer lugar ?
Muitíssimas caminhadas ao longo do mar ?
Quero saber, tenho tempo pra te ouvir falar,
Pulaste muitos abismos se jogando na imensidão ?
Nadaste muitos rios seguindo os cursos que eles dão ?
Vem logo aqui contar,
Quantos quilômetros conseguiste correr ?
Quantos dias a fio sem parar pra comer ?
Já sei porque não vens falar
Quiseste ir pra longe, querendo qualquer caminho percorrer
E mesmo assim não conseguiste desse sentimento se esconder.
Foram muitos desertos atravessados,
Muitos corações despedaçados,
Mas já sabias que não podias me esquecer.

( Cáh Morandi )

Dormindo em mim



Compreendo enfim o que se passou,
Não era meu peito já frio,
Nem meu coração congelado que morriam,
Eras tu, amor da minha vida
Que ali sumias pouco a pouco!
Te sinto agora aqui desfalecer.
Perdendo a força, se apagando
Dormindo pra sempre dentro de mim.

( Cáh Morandi )


15 de maio de 2007

SER Humano


Ser Humano.
Se tu pudesses
SER:
Algo de bonito!
Algo de infinito!
Se tu pudesses
SER

MAIS HUMANO!
.
.

Cata- amor



Eu gostava dos cata-ventos
Era divertido segurá-los e esperar que rodassem!
Haviam alguns feitos de várias cores e conforme giravam
Tornavam-se uma bola de aquarela que pairavam no ar.
Depois de cansada deles, jogava num canto até estragarem
E qualquer brincadeira nova parecia mais interessante provar.
Hoje, já adulta, e sem paciência para o vento esperar
Fui até a rua onde se vendem esses artigos com que brinquei
Procurei um cata-amor, mas olhei, olhei, e nada por lá.
O moço da loja riu: “ Isso não tem onde comprar!”
Que triste! Como pode não ter um cata-amor!!?
Se é isso que todo adulto hoje gosta brincar:
Catar amores e depois de usá-los num canto jogar.
Que pena... vou ter que catar amor em outro lugar!
( Cáh Morandi )

Quase que oração



Eu não queria sentir tanto. Pudera eu ser mais forte, nem que fosse por alguns instantes. Fui feita com olhos sensíveis e com coração aberto demais e que tem a mania costumeira de guardar tudo que sente, e depois ele chora, porque tem dias que ele transborda de tanta coisa que tem. Se eu fosse ao menos mais ativa e em vez de pensar, fizesse tudo que imagino. Eu sofro. Eu vejo sofrer. E permaneço imóvel. Só escrevo, como faço agora. Parece só algumas palavras de poetisa que sente demais, mas bem sei eu que isso é quase que uma oração que entrego aos céus, agradecendo a Deus por essa mania que Ele tem de sempre me salvar.
..
..
Cáh Morandi

Penso tanto!


Eu procuro me manter distraída
Versos, sonhos, a toda hora: poesia!
E meus passos rápidos pelas avenidas
Vão sempre calmos nos caminhos da vida.
E eu te olho, (re)olho, depois eu penso:
Penso em quantas formas te posso pensar.
Eu danço no meio do destino
Vendo se ele consegue me pegar.
Deslizo, escapo, sou pássaro no ar.
E eu te desejo amar tanto
Mais do que qualquer humano
Já ousou amar.
Eu procuro me manter distraída
Pra de vez em quando não lembrar
De tanto sentimento que carrego
E que deposito em teu olhar.

( Cáh Morandi )



Sonho recusado




Me transformas-te numa menina
Dessas que andam de salto alto.
Pequenina, minúscula,
Caminhando com a cabeça no ar.
Me transformas-te naquilo que sonhavas
E depois de ver-me pronta, ao teu alcance
Pensou que seria tarde demais sonhar.
...Seria tarde demais me amar.
Eu fico aqui a te esperar em meio ao vento,
Nessas horas que não findam
E eu envelheço mais veloz que o tempo
Na esperança de que se não me queres
Assim jovem, e resplandecendo alegria
Ao menos cansada, envelhecida
Tu me queiras de novo como sonho
E me aceites, amor, em tua vida.

( Cáh Morandi )

13 de maio de 2007

Divagando



Meu coração parece um deserto sedento
Só tem a lembrança do que não possui
Meu peito aperta, saudade desperta
Penso demais, e acabo morrendo antes do tempo
Inverno brusco, teu corpo na cama eu busco
E acabo sendo abraçada por tua ausência.

Jogada ao vento VI


Eu penso
E de tanto enlouqueço
Ver-te passar.
Eu sento
Na beira da calçada
Pra lembrar.
Eu tremo
Só de saber
que chove.
Eu sonho
E por vezes esqueço
Não vais voltar.
Eu oro
E meu amor ateu
Acredita em Deus
Para que possas regressar.
Eu espero
Como se não tivesse pressa
Mais o pensamento não cessa
Em pedir para o tempo passar.



( Cáh Morandi )

Recordação de um almoço

Sentados na mesa a almoçar,
Ele começa, com doçura e
Com verdade a falar :
“ Menina, às vezes eu penso
O que passa por tua cabeça ?
Você só pode ser louca!
Você só pode estar a delirar!
Como podes !
Me diga como podes
Por mim se apaixonar ?”
Serena e sorrindo
Coloquei minhas mãos pequenas
Em seus braços cruzados na mesa
E disse com leveza :
“ Como podes!?
Como podes me perguntar!?
Eu te amo porque te amo!
E na minha cabeça, realmente,
Não tem nada a passar,
Tu sabes que o que por ti carrego
Está no coração a palpitar.”
Ele beijou minha mão.
Depois fez-se um silêncio.
A tarde, ele me beijou.
No outro dia me amou.
Na semana seguinte me deixou.
E hoje eu fiz essa poesia.

Grito Vasto



De joelhos
Eu olhei para cima
E chovia
E a lágrima
Corria
E eu gritei
Para a imensidão.
Não tinha retorno
Eu sabia que era vão.
Mas eu gritei
Molhada
Tremendo
E de pés no chão.
Corri até a grama
E gritei com tanta gana
Arrebentei o silêncio
Corrompi o espaço
E gritei.
GRITEI!
GRITEI!
GRITEI!
Ensurdecedor e vasto.
Sincero e devasso:
Meu amor por você.


.

.

Para que saibas



E tu fostes
Na imensidão do universo
E no abismo da vida,
O ponto que me segurei
Para não ficar a mercê das horas.
Tu fostes
Como o canto de um pássaro raro
Quando meus ouvidos já se tampavam.
Creias e saibas, tua voz, ainda que falando
É sempre canção para mim.
Tu fostes
O raio de sol a romper a noite fria e calada
Tu agrediste a madrugada e brilhou para mim.
E quando você sorriu, ah Deus meu
Tu eras o próprio sol que me visitava!
Tu fostes
Mais do que um presente divino
Tu e esses teus olhos medrosos de menino
Vieram pra encantar e dar vida
A tudo que em mim dormia.

( Cáh Morandi )

Estrela que era do Céu

Eu vi uma estrela
E o brilho dela era tão fraco no céu
Mesmo assim eu gostava de vê-la.
Certo dia, procurei sem encontrá-la.
Pensei comigo:
“ Ela deve ter ido pra outro lugar,
Pois lá em cima é tudo tão grande
E ela foi em outro canto morar.”
Quando quase desistia de achá-la
Vi lá onde dobra o infinito perto do mar,
Estava a estrela a se soltar,
E era um absurdo, era loucura:
Ela se desprendeu do céu,
Depois girou no ar!
Deus fez errado,
Aquela era uma estrela do céu
Que sonhava ser estrela do mar!

( Cáh Morandi )

11 de maio de 2007

Virias



Que frio está esse dia
E ele me fez imaginar,
Que passo a passo virias
Com teus pés descalços
Rindo baixinho,
Com os olhos pedindo carinho
E deitarias teu rosto gelado
Em meu peito quente, meu amado
Para ali dormir e sonhar.

Se envolveria entre minha pernas
Lembrando as noites ternas
Em que se aquecia ao me abraçar.


( Cáh Morandi )

10 de maio de 2007

Diálogo II


- Acreditas em Deus ?
- Sim.
- E o que te leva a acreditar ?
- O teu corpo por exemplo, não pode ser só química, não pode ser só humano. Acreditas n’Ele ?
- Eu o vejo sempre.
- Onde ?
- Agora mesmo. Toda divindade está em teus olhos
.
- E é por isso que pensas que ele existe ?
- É por isso que sei que ele existe.


( Cáh Morandi )

Diálogo I


- Quando dormes com que sonhas ?
- Contigo.
- (Penso)Hm... deve ser doce!
- Sonhar ? Nunca fizeste ?
- Não. Gosto de ficar acordada vendo teus olhos dormirem. É lindo ver-te sonhar.


( Cáh Morandi)

Momento Pérola.

.
Já pensou ?
Se o Chile fosse no Oriente
E a China no Ocidente ?
Seria uma loucura certamente
Imagina, Renatinho, que idéia da gente!!
Mas você já pensou ?
E se fosse tudo diferente ?
.
Resposta de Renatinho:

Seria como a gente:
tudo sorridente, ninguém carente…
Mas morena Cáh,
Chile no Oriente ?
China no Ocidente ?
Isso não quero nem imaginar!!!

Os dias




Penso que não sou só eu, deve haver mais gente que não sabe para onde vai. O mundo é grande e sei que tem tantos lugares, mas há dias como hoje, que não há lugar certo pra onde se queira ir. O melhor talvez seja aqui permanecer, pois se já sei que não vou encontrar o que quero, ao menos posso mudar um pouco da onde estou. Às vezes uma palavra ajuda, às vezes uma ação anima. Posso não saber para onde vou, mas se aqui eu permanecer a vida inteira, ao menos vou pintar cada dia de uma cor, e depois escrever sobre o tom a poesia que eu sinto, nem que seja pra saber amanhã o que hoje eu sou.



.
.

Já sabes
Nunca é tarde!
Nunca é vão
Ainda amar.
Já sabes,
Nunca é tarde!
Meu coração
Vai esperar.

Ainda batendo
Ainda gemendo
Teu nome.
Ainda esperando
Ainda cantando
Pra te ver chegar!

9 de maio de 2007

A última vez que fui embora

Andamos a cidade inteira
Falando dessas coisas passageiras
Que a gente nem vê passar.
Naquelas ruas inúmeras, risadas tantas
Voltas e voltas sem chegar
A qualquer lugar.
Mas era bom, e me fez lembrar
Da minha mão em tua perna
Enquanto dirigias, enquanto dizias
Pra sempre me amar.
Esqueceu-se porém da verdade
Da onde irias me deixar...
Era onde eu embarcava,
Onde voltava pra casa
E deixava um banco vazio em meu lugar.

( Cáh Morandi )
Eu não sei
Se a ti me lancei.
Não sei se tu me levaste.
Mas que a entrega seja mutua.
E que eu me doe mais ainda.
E que nunca deixes de me envolver.
Porque agora eu olho pro céu de meu mundo
E ele está tão lindo, está tão limpo
Que se não fosse azul seria branco...
E eu me vejo um arco íris lá pintado
Para depois dar-te a mão para nele caminhar.

Fui Luz



Eu era toda escura
E você me fez luz.
Reluzi quase que o mundo.
E iluminei tua vida.
Um dia você foi
E eu brilhei mais um tanto
Para poderes me ver.
Certa vez minha luminosidade
Já não te alcançou mais.

Ainda me vês ?
Consegues ver-me brilhar ?
Ei! Volta teu olhar para mim!
Quanto mais te vais pra longe
Vou me apagando...
Apagando
Apagando
Como uma estrela no céu morrendo
Desaparecendo na imensidão.


( Cáh Morandi )

Fragmento de minha infância.



Eu deitava na terra na minha infância,
Não me preocupava se sujaria minha roupa
Nem se meus cabelos, por caso, estivessem despenteados.
Às vezes, quando os galhos das árvores tampavam o céu
Eu gostava de brincar de ver o sol entre as folhas
Imaginava que veria algo que não fosse os raios solares.
Depois eu corria, até cansar ou então até tropeçar em alguma coisa.
Meu pai dizia, ( e ainda o vejo falando )
Que os tombos eram conseqüência de meus pequeninos olhos.
E talvez o fossem,
Mas no fundo eu sabia que era minha cabeça que estava nas nuvens
( ela nunca esteve olhando para baixo. )
Eu tenho marcas de dias como esses que
São os arranhões cicatrizados em meus joelhos e braços
Que não latejam mais, porque o que dói hoje é saudade.
E o que me entristece é que as ameixas não tem mais o mesmo gosto.
Eu sei, elas continuam a mesma...
Fui eu que amarguei o paladar.
Que vontade que bateu de algum dia como criança poder voltar,
Pois dias como aqueles fazem tempo...
Dias como aqueles fazem falta!

( Cáh Morandi )


A Dança Noturna




Noite,
É tarde dessa noite tão estrelada!
Como me faz falta te ter pra dançar
Na madrugada fria e calada
Que me lembra de te chamar.


Acordo, devagarzinho
E coloco bem baixinho
A nossa música,
Te chego de mansinho
Te dou um carinho
E te chamo com um beijo
Pra saciar todo o meu desejo
Dessa noite contigo dançar.


Sentir tuas mãos calmas
Na minha cintura,
Enquanto nossas almas
Dançam com desenvoltura,
Encostar minha cabeça com a tua
E em teus braços nua
Pelo quarto a bailar.


Como dois eternos
Me lanço nesse momento terno
Jurando para sempre te amar!
Dança minha Inspiração
Porque tens em tua mão
Meu destino que te cedo
Esquece todo medo
E vem nessa noite
Comigo dançar.

( Cáh Morandi )

8 de maio de 2007

Tarde Fria


Que tarde fria e chuva fina que agora cai
Me deu vontade de pedir para que venhas
Para deitar onde escuta tua alma em meu peito
Ouvindo a canção que ele canta quando estás por perto.
Estou tão fria quanto esse tempo, mas no demais
Tão esperançosa como a terra que recebe essa chuva.
Estou vendo a semente brotando em meu coração
Porque também recebo o alimento que me doas.
Que tarde fria, que chuva gelada que insiste!
Mas se estivesses aqui agora
Não hesitaria em te levar lá fora e nos molhar.
Não negaria uma dança nessa tarde de outono.
Não pensaria se eu pudesse na grama te amar.
E nem precisas pensar em como é gelado esse dia
Em mim há uma chama que arde
E que partilharia pra poder te aquecer.

( Cáh Morandi )

Saberemos


Falas assim como se vivesse nos sonhos
...Como se pudesse a qualquer a hora!
Tens qualquer coisa de absurdo,
E é isso que desnorteou meu rumo.
Tenho guardado o beijo que te deixaria mudo
... Eu receberia a tua voz em meus lábios.
Já sabes dos meus olhos castanhos pequenos
Já sabe das noites frias e vãs em que vivemos...
Tens o dom do artesão, e ainda que não creias
Modelaras tantas vezes meu corpo em tuas mãos.
Eu estou com medo que me estranhes
Porque eu sou tão pequena,
E Tu és tão infinito e vasto
Que não me surpreende que comportas o mundo.

( Cáh Morandi )

(A) voar.



Estou leve
Quase azul!
Me ensinaste o vôo
Me pusestes asas
E meus pés agora
Só querem caminhar em nuvens!
Como conseguiste me encantar ?
Nem vi teus olhos,
Mas sei que é ali que encontro a mim mesma.
Nem beijei teus lábios,
E sei que são mais doces que o puro mel.
Agora assim eu ando flutuando...
Eu me pego em ti pensando,
E meu pensamento agora fica no espaço,
Espaço vão e infinito do azul que pinta o céu!
Estou leve, estou voando pelo ar
Quero ser esse azul do céu que dá cor ao mar...

( Cáh Morandi )

Virou botão!


.c
..a
...i
....u
a pétala da flor.
Outono!
Uma
A
Uma
.d
..e
...i
....t
.....o
......u
Sobre o chão.
A flor não era mais flor!
A flor virou botão.

( Cáh Morandi )

7 de maio de 2007

Sobre a felicidade


Eu sou feliz de fato
E minha felicidade é risonha.
Tem a alma pura.
Sorriso de menino.
Mãos calmas que se dão com as minhas.
Felicidade é minha Inspiração.
Tem o gosto de um beijo.
Tem a lembrança de uma paixão.
Tem a força maior que eu.
Felicidade está num cantinho
Onde falo baixinho que te amo.
Felicidade é minha alma se unindo com o meu amado.
E nossos corpos suados depois do amor.
Felicidade está nas palavras não ditas.
Está no olhar que procura um olhar.
Felicidade dá saudade que chega ser triste.
Sou feliz quando estou com quem se chama:
FELICIDADE.
Está presente quando estou fazendo poesias.
E quando penso em amar-te nas noite vazias.
E quando escuto que me queres.


E quando te vejo, e quando te tenho,
Não cabe mais na palavra felicidade
Tudo que eu sinto.

( Cáh Morandi )

Despertei



[ Céu azul ]

Que vai até o infinito
Prendo em meu peito
O ar desse mar tão calmo
Caminhei sem pressa.
A sol surgia como Rei
Raios luminosos
Traduzindo minh’alma.
Em graça, em luz, em força
Amanhecia junto com o dia
Algo dentro de mim nessa manhã.
Visão de sublime beleza
Que despertava em meu intimo.

( Cáh Morandi )
24/03/2007

Quando não se diz

Tem coisas que a gente não diz
Ou se diz, diz somente no olhar
E com palavras não dão de falar
É coisa que alegra entristece
É coisa que desperta e adormece
Só quem sente é que sabe!
E quem não sente, Deus tenha piedade
E deixa eles sentirem esse gozo
Que faz da alma palpitante o repouso
E faz da vida o que a gente, de repente, ousar.

( Cáh Morandi )

17/03/2007

O que sei do amor



Eu sei que te passa o tempo
E tens histórias pra contar
Mas o que posso fazer
Se meus olhos de menina pequena
Encontraram em tua vida serena
Vontade de se entregar ?
Já tiveste tantas mulheres
Belas, maduras e inteligentes
E desconfio então se me queres
E aceita essas poesias como presentes.
Eu tenho pouca coisa pra contar
Sei te fazer um pocado de versinhos
Mas se me quiseres, te darei todo o carinho
Que nem uma delas soube te dar.

Já que tens a mais primaveras
Deixe que nas próximas eu esteja entre elas
E te faça novos sonhos sonhar
Junta comigo o teu destino
Reencontra o teu olhar de menino
E reaprende comigo o que é amar
Te juro pra sempre falar
Que te amo, te amo, te amo
Além do que o amor possa expressar.

( Cáh Morandi )

Sensível Poesia - Febá e Cáh Morandi

Em meu peito, mais vasto que o universo, vive um sonho
Com perguntas sensíveis na imaginação que proponho

Entrou pelos meus olhos, beleza inebriante que carregas
No envolvimento por sentimentos que buscam as suas essências
Eras o reflexo do meu intimo mais guardado, eras quase que minh’alma
Que sentias nas suas sensações como emanações das primaveras
Eram flores, então, teus lábios. Era a estação certa quando sorrias.
Entre suas imagens concebidas nos pensamentos das paisagens
Olhei, Retina. Retinha-me. Tenho te lembrado quando penso no amor
Que o inexplicável da poesia era encontrar o mundo em seus sentidos
A rima, a palavra estava ali, carregada no espelho que era de mim
Caberia o infinito num visível porvir das indagações que trocamos por nossos mundos
Somos a ponte para o eterno, onde transitam os desejos mais contidos e íntimos
Nada nos separaria, porque fomos como corpo e mente em união
Fomos mais que espírito e alma, mais do que amor e coração
Fomos a reflexiva paisagem das crianças em busca das sensações perdidas nas pessoas tocadas na sensível poesia.

Jogada o vento V



Quando me banho
A água quente fica fria
Das horas que ali permaneço
Lembrando de um tempo passado.
Enrolo-me na toalha
E uma gota de água
Concedo deslizar em minhas costas
Na esperança que sigas
pingo por pingo e me encontres.
Pés descalços, vou até à varanda,
Onde o vento me abraça ao invés de ti
Debruço-me para ouvir a canção do mundo.
É esta canção que me diz que estou viva
E ela toca ainda que nós não dancemos colados.
O céu beijando o mar,
Meus olhos tocando a paisagem.
Eu sei,
Não te tenho,
Mas penso...
...Sim, eu penso em ti.


( Cáh Morandi ).

Lembrança dos teus olhos..

.

.

Às vezes ele me olhava nos olhos, estranho: ele devorava-me no olhar. Leitura completa da minha alma. Olhos vorazes. Folheava cada pedaço meu. Cada pensamento guardado ele possuía. Retina. Retinha-me. Ele me conduzia. O olhar dele era como ver algo de infinito e belo. Eu lembro dos seus olhos sempre, mas tem um dia que nunca esqueço: a fome dos seus olhos enquanto me amava, enquanto pesava seu corpo sobre o meu. Desejo. Amor. Invadia-me com seu corpo e com seu olhar. Eu fui duplamente saboreada.Naquela tarde em que ele me amou, me vi naqueles olhos. Hoje não os vejo mais, nem sei se guardam mais a minha imagem.

.

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3 de maio de 2007

Morena Cáh - Por Rodrigo



Será por acaso? Ou será destino?

Ou simplesmente almas gêmeas.

Morena dos olhos puxados.

Ah morena Cáh...

Se pudesse estar contigo

Te faria provar do meu beijo

E te abraçar tão gostoso que...

Ah morena Cáh...

Morena que mora no sul

Que tem palavras de fada

É linda como os lírios do campo

Ah morena Cáh...

Um dia vou te encontrar

E quando esse dia chegar...

Eu vou te amar!

Ah morena Cáh...

Som ao longe




Um som baixo
Falava tão longe...
Me encolhi.
Calei-me.
Busquei escutar
DIFICIL!
Aos poucos.
SURGIU!
Era música.
Tocava triste.
Cantava
Que amava você!
Sussurrei:
- Amava você, amava você.
Pensei.
Da onde vem a canção ?
Silenciei mais um pouco.
Pasmei.
Vinha do meu coração.


( Cáh Morandi )

Diálogo Encantado



- Ei, pequeno principezinho
Porque vais nesse caminho ?
- Eu vou procurar outra beleza
Longe de ti querida natureza!
- Cuidado com a direção que iras tomar.
Podes viver longe de quem te amar ?
- Ah minha amada, mesmo se embora eu for
Sei que aguardaras meu retorno, meu amor.
- Lembra-te que sou Natureza, coração
De tempo em tempo se passa estação por estação.
- Mas eu estou tão pronto para partir!
Permites meu amor que embora eu possa ir ?
- Escolheste por teu destino sozinho,
Guardarei por ti saudade e carinho.
-
Natureza, me diga se ainda me ama
E se é por minha alma que a tua clama ?

- Principezinho encantado, meu amor a ti foi jurado
Serás de minh’alma sempre o meu amado!
- Beija-me com tua ternura de quem se entrega,
Abraça-me com a eternidade que em teu braço carrega.
- Não darei o ultimo abraço e beijo, todos eles são teus.
Se eu te dar o que pedes, eu consentiria teu adeus.

( Cáh Morandi )

Jogada ao vento IV



Ele ficou na calçada
Mão no bolso,
Outra nos lábios.
Pensou, deve ter hesitado.
Entrei no carro,
Virei a esquina.
Lá estava ele parado.
Dei o ultimo adeus
Através do vidro abaixado.
Ele sorriu.
Eu chorei.
E foi assim,
Sem um certo fim
Que terminou meu grande amor.
Numa noite de domingo.
E o dia que havia sido tão lindo
Me lembra uma grande dor.

( Cáh Morandi )


2 de maio de 2007

Posso te esperar


Eu posso te esperar,
Eu não tenho pressa,
Eu tenho a reza
De um dia te ver chegar.
Eu posso te esperar,
Não há busca de um novo amor,
Espero para ires onde for
E para viver a minha vida com a tua.
Eu posso te esperar,
Tenho ainda muitos dias pra te dar
Tenho ainda minha poesia pra te encantar
E te fazer feliz a todo tempo.
Eu posso te esperar,
Pois a espera de quem se ama nunca é vã
Sei que irei acordar ao teu lado muitas manhãs
E sussurrar baixinho o quanto te amo.
Eu posso te esperar...
( ...eu vou te esperar. )
Por mais um instante,
Por todas as vidas,
Até o dia que chegares.

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