8 de outubro de 2007

Duas noites


Meu choro é uma flecha
Que rompe a noite entristecida
Deslizante e fria lágrima
Surgindo dos olhos,
Caindo sobre a face,
Mergulhando no vazio de minhas mãos


Deve chorar quem dor sente
E se não sente, não há amor
Se do céu estrelas nascem
Esperançosas, se jogam as cadentes.
Todo corpo é um astro ardente
Que de desejo inflama e queima


A noite, então, é duas,
Duas luas num só céu,
De uma lado está quem chora
Do outro quem ri e dorme em paz.
Há dois corações separados
Em dois peitos, um só amor


A lágrima sempre persiste
No sentimento em bom momento
Ou na falta de um outro alguém
E descubro que posso parar agora
Mesmo nesta noite em que fico
Há uma lua (talvez duas) radiando luz.


- Cáh Morandi -

Um comentário:

A. C. O'Rahilly disse...

É bonito, elegante

Curta