1 de junho de 2007

Vagos pensamentos de Sicília III

Ela pensava nas possibilidades possíveis, mas principalmente nas impossíveis e improváveis. Esperar pelo que todo mundo espera não valia a pena, o bom era estar pronta para o que ela nunca pensava acontecer: um tombo no meio da rua, um mal estar no meio da tarde, uma chuva naquele fim de semana que planejou acampar na praia, uma batida no carro logo no mês em que não tinha dinheiro, um bom vinho de madrugada sentada num banco de uma praça, as reuniões em cima da hora para assuntos decisivos.O certo era que ela imaginava se preparar para tudo, das pequenas a grandes coisas. Detalhadamente. Minuciosamente. Então havia dias que ela mais planejava do que vivia. E quando ela vivia sempre foi dos planos dos dias anteriores. Não havia motivos pra tanta insegurança. Ninguém está pronto pra tudo o tempo todo. Sempre tem algo novo, algo de diferente. Que triste, penso eu, são os dias dos que não aceitam as surpresas, que não evitam surpreender-se e envolver-se com o inesperado. E daí fiquei pensando no domingo a tarde em que ela deve ter sentado e programado o dia em que seria feliz. Ah, mas mal sabe ela que tem coisas que não tem dia, que não tem hora. Que de repente chega agora, e tem nome de amor.
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