5 de junho de 2007

Tudo que eu sou



Imagem triste refletida nessa água,
Meus olhos alegres e brilhantes cansaram.
Tudo foi naquelas horas que não retornam
E do amor que escorregou pelos meus dedos finos
Permanecendo nos lábios gosto amargo que tem a tua ausência.
Você já se olhou e não reconheceu sua própria imagem alguma vez?
Eu sim, e desconfio que eu realmente nunca tenha me visto
A não ser essa primeira impressão que fica
Desses meus traços mal feitos e descontornados.
Eu tenho as demais coisas sob meu domínio e controle:
Minhas flores, meus ofícios, minha arte,
Meus livros, meus chegados, meus caminhos,
Minha casa, meus vestidos, meus destinos.
E por ser uma pessoa a única coisa que me falta
Tudo que sou é um precipício que não finda,
Uma terra árida que não viu brotar nada
E que não espera mais chuva alguma nesse tempo,
Porque da sua própria secura ela chora.

( Cáh Morandi )

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