6 de março de 2007

Nostalgia da Alma


Estava tudo numa caixinha florida guardada no armário embutido
Ali cabia tudo que sobrou de um tempo que foi bonito
E de um mundo que criei e que era tão florido
Lembro tão vaga das tardes e das cavalgadas sem fim
E do que foi vivido tão pouca beleza ficou dentro de mim
A noite, às vezes, eu me sentia sozinha e tinha medo
E nem sempre eram fantasmas, mas principalmente de saber...
Saber como seria daqui alguns anos, como seria ter que crescer
Com o tempo aprendi a ser forte e a subestimar minha natureza
Sabendo que nas palavras e atitudes simples morava a grandeza
Conheci o amor, amor próprio e amor partilhado
Amor que fica quieto, e amor que deve ser espalhado
Depois veio a poesia num desses dias que chovia sem parar
E quando a chuva começou a cair mais dentro de mim
Foi que as palavras souberam mais que a água inundar
Eu tinha um risinho meigo e uns cabelos despenteados
Umas mãos pequenas e um rosto delicado
Hoje tenho uns olhos puxados e cabelos mais cacheados
Tenho uma tatuagem e quase um mestrado.
Da ruazinha que eu tinha na infância caminhado
Foi trocado por um avião que levou pra longe demais
E de todos os brinquedos que estavam guardados
No meu quarto junto com os livros não cabem mais
Eu tenho saudades, eu quase morro delas
Mas se não fosses essas primaveras pelas quais passei
Do que viveriam as minhas poesias
Quem sabe da alegria
Da infância lembrada
Que ficou no peito guardada
Pra quando eu perder o fio da meada
Eu lembrar de onde eu vim.


( Cáh Morandi )

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